Reacções à morte de Helena Vaz da Silva

"Perda irreparável para a cultura portuguesa" - Gonçalo Ribeiro Telles

"Uma perda irreparável para a cultura portuguesa e para o país", uma personalidade de "grande persistência e espírito inquebrantável". É assim que o arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles lamenta a morte de Helena Vaz da Silva. "É uma perda muito grande para o país. O trabalho dela no Centro Nacional de Cultura [CNC] foi notável, na divulgação da cultura em Portugal e no estrangeiro", sublinha Ribeiro Telles, enquanto presidente da Assembleia Geral do CNC. Além do seu contributo profissional, o arquitecto relembra ainda a "grande persistência, o espírito inquebrantável e notáveis qualidades de trabalho" de Vaz da Silva, de quem era "amigo de longa data". "Era daquelas pessoas que procurava atingir objectivos e atingia-os mesmo, à custa da sua espantosa vontade de trabalho", acrescenta Ribeiro Telles, concluindo que a sua substituição "será um processo muito difícil, porque não é fácil substitui-la".

"Criativa e luminosa" - Eduardo Prado Coelho
"Helena Vaz da Silva foi uma das pessoas mais positivas, criativas e luminosas da minha geração", comenta o escritor Eduardo Prado Coelho, "bastante entristecido" com morte "um pouco inesperada" de Vaz da Silva, que deixa o país "com menos pessoas capazes de trabalhar num espaço que não seja obsessivamente partidário". "Conheci-a como jornalista e criadora de revistas. Depois como alguém que deu a vida ao Centro Nacional de Cultura e que neste momento procurava dar vida a uma noção de serviço público da televisão", salientou Prado Coelho, que recorda a “ uma grande cumplicidade e amizade por esse lado afirmativo e solar que Vaz da Silva “punha em tudo o que empreendia". Prado Coelho referiu ainda que Helena Vaz da Silva se lançou num trabalho que será prosseguido por Maria José Nogueira Pinto, mas que, por melhor que seja desenvolvido, nunca deixará de ser "todo um projecto que tinha no seu aspecto mais profundo a marca inconfundível da Helena".

"Grande inteligência e energia inesgotável" - Vasco Graça Moura
O escritor e eurodeputado Vasco Graça Moura recorda Helena Vaz da Silva pela "grande inteligência, energia inesgotável e alegria de viver". Para Graça Moura, Vaz da Silva é "inquestionavelmente uma grande figura da cultura do nosso país", que "teve um papel fundamental no desenvolvimento do Centro Nacional de Cultura", mas também "uma faceta normalmente menos conhecida, a de grande jornalista". "Foi uma excelente jornalista do 'Expresso', lembro-me das suas grandes entrevistas a personalidades da cultura e, numa extensão dessa actividade, de um livro que publicou em que entrevistava o pintor Júlio Pomar", lembra o escritor. Fica ainda a lembrança do "magnífico trabalho desempenhado por Helena Vaz da Silva" em Bruxelas, quando "prestigiou Portugal e contribuiu para a afirmação cultural do país".

"Enorme dinamismo e entusiasmo" - António Mega Ferreira
"Era uma pessoa de enorme dinamismo e entusiasmo, com uma grande capacidade de concretizar os projectos em que se metia e que ocupou um lugar quase único na cultura portuguesa", realça o escritor António Mega Ferreira Mega, para lembrar Vaz da Silva que conheceu em 1975 no semanário "Expresso". Mega Ferreira, que trabalhou em conjunto com Vaz da Silva numa das direcções do Centro Nacional de Cultura, descreve "o enorme prazer de trabalhar com ela". "O CNC foi, em muitos aspectos, um modelo de dinamização cultural feita numa perspectiva não estatizada e não paternalista e isso deveu-se em grande parte à imaginação, vontade e persistência de Helena Vaz da Silva".

"Detentora de enorme capacidade de realização" - Maria José Nogueira Pinto
Helena Vaz da Silva "marcou profundamente o panorama nacional nas últimas décadas", segundo Maria José Nogueira Pinto, provedora da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e presidente da comissão governamental de reflexão sobre serviço público de televisão, desde que Vaz da Silva adoeceu. Considerando "precipitado" o seu desaparecimento, Nogueira Pinto lembra Vaz da Silva como "uma pessoa especial", "detentora de uma enorme capacidade de realização", mas também como uma mulher "curiosa e muito virada para a frente". "Ela pensava e fazia, o que é um caso raro. Há muitas pessoas que dizem muitas coisas, mas depois não concretizam", sintetizou a provedora. Nogueira Pinto trabalhou com Helena Vaz da Silva nalguns projectos na área da cultura, nomeadamente enquanto adjunta de Pedro Santana Lopes, quando este foi secretário de Estado da Cultura.

"Cultura portuguesa mais pobre" - Ministro da Cultura, Pedro Roseta
Para o ministro da Cultura, Pedro Roseta, a "cultura portuguesa ficou mais pobre" com o desaparecimento de Helena Vaz da Silva, devendo estar todos os portugueses gratos "pelo trabalho por ela realizado", nomeadamente "no Centro Nacional de Cultura, na Comissão Nacional da Unesco e também como eurodeputada". Pedro Roseta realça que Vaz da Silva tinha uma grande "criatividade e energia" e que empreendeu "muitas iniciativas inovadoras, como os passeios de domingo ou as viagens de estudo pelo mundo ao encontro de povos com que os portugueses contactaram ao longo dos séculos". O ministro recordou também "a importância do trabalho na área política, no Parlamento Europeu" de Vaz da Silva, bem como a sua "visão de uma cultura aberta, sem fronteiras".

"Fez um trabalho verdadeiramente notável" - Mário Soares
"Foi com imensa tristeza que recebi a notícia - por mim inesperada - da morte de Helena Vaz da Silva", disse o ex-Presidente da República, Mário Soares, salientando que a sua morte deixa na vida portuguesa "um enorme vazio". Classificando-a como "uma mulher inteligente, civicamente interessada e liberal, no melhor sentido do termo", Mário Soares recordou que Vaz da Silva "fez um trabalho verdadeiramente notável, intelectualmente importante e mobilizador de muita gente" à frente do Centro Nacional de Cultura. "Acção incansável ao serviço da cultura portuguesa" - Presidente da República, Jorge Sampaio Jorge Sampaio destacou a "acção incansável ao serviço da cultura portuguesa"de Helena Vaz da Silva. "Neste momento de tristeza lembro a amiga de tantos anos e presto homenagem à sua acção incansável ao serviço da cultura portuguesa", disse ainda o chefe de Estado.

Directora do Centro Nacional de Cultura

Morreu Helena Vaz da Silva

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PUBLICO.PT

Morreu Helena Vaz da Silva, directora do Centro Nacional de Cultura, ex-eurodeputada do PSD e actual presidente da comissão independente que tem como tarefa propor um novo modelo de serviço público de televisão. Vaz da Silva morreu ontem à noite num hospital de Lisboa, onde se encontrava internada.

Helena Vaz da Silva dirigia o Centro Nacional de Cultura desde 1980. Como jornalista, sempre ligada à área da cultura, foi jornalista/fundadora do "Expresso", RTP e antiga agência ANOP. No Parlamento Europeu, como eurodeputada do PSD, esteve integrada na Comissão de Cultura, Juventude e Meios de Comunicação.

Esteve ligada aos movimentos católicos progressistas dos anos 60, de que faziam parte, entre outras personalidades, António Alçada Baptista e João Bérnard da Costa. Antes do 25 de Abril esteve ainda ligada ao Cineclube de Lisboa e à revista "O Tempo e o Modo".

O funeral de Helena Vaz da Silva realiza-se amanhã às 10h00 no cemitério do Alto de S. João.