Irão, Iraque e Coreia do Norte são "eixo do mal"

No seu primeiro discurso do estado da União, o Presidente dos EUA, George W. Bush, acusou o Irão, o Iraque e a Coreia do Norte de tentarem obter armas de destruição maciça e garantiu que vai "impedir os regimes que patrocinam o terror de ameaçar a América, os seus amigos e aliados". O Irão e o Iraque já reagiram iradamente às palavras de Bush: Teerão diz que os "comentários arrogantes de Bush" desmascaram o seu "desejo de hegemonia", Bagdad acusa Washington de "terrorismo de Estado". Na terça-feira à noite, Bush discursou no Capitólio perante as duas câmaras do Congresso, os membros do seu Governo e os juízes do Supremo Tribunal. A sua mensagem à nação focou-se sobretudo na guerra contra o terrorismo. Bush disse que a guerra ainda está longe de acabar, e nomeou três países como ameaças - o Irão, o Iraque e a Coreia do Norte. Países que, segundo o Presidente, com os seus "aliados terroristas", constituem um "eixo do mal"."Alguns destes regimes têm estado muito caladinhos desde 11 de Setembro", disse Bush. O Presidente afirmou que o Irão "pesquisa agressivamente armas de destruição maciça e exporta o terror", que o Iraque "há mais de uma década tenta desenvolver antraz e armas nucleares" e que a Coreia do Norte "se arma com mísseis enquanto os seus cidadãos morrem à fome". O Presidente dos EUA não revelou, contudo, quais são os seus planos para lidar com estes regimes.Ontem, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Kamal Kharrazi, respondeu à acusação do Presidente americano, dizendo que "o objectivo de Bush é desviar as atenções da opinião pública dos acontecimentos no Médio Oriente". Por sua vez, num comunicado do Parlamento do Iraque citado pela Reuters lia-se que "os EUA são o único país no mundo, para além da entidade sionista, que pratica terrorismo de Estado sob o pretexto de combater as fontes do terrorismo.""Enquanto nos reunimos hoje, a nossa nação está em guerra, a nossa economia em recessão e o mundo civilizado enfrenta perigos sem precedentes." Apesar do início apocalíptico, o discurso de terça-feira de Bush de imediato tomou um cariz optimista: "Contudo, o estado da nossa União nunca foi tão forte."Bush falou com voz segura e um tom confiante durante 48 minutos; apesar da sua reputação de fraco orador, só tropeçou nas suas palavras uma vez, quase no fim. A sua actual popularidade foi reflectida pelos aplausos entusiásticos com que as suas palavras foram constantemente interrompidas. O Presidente enumerou três "grandes objectivos nacionais": "Vencer a guerra, proteger a pátria e revitalizar a economia." Nos primeiros 20 minutos do seu discurso, Bush fez o balanço da guerra contra o terrorismo. Sem uma única vez pronunciar o nome de Osama bin Laden, Bush assegurou que "a guerra começou bem, mas ainda só começou". Referiu uma "rede terrorista subterrânea" que inclui movimentos palestinianos como o Hamas e a Jihad Islâmica, e falou da acção militar dos EUA não só no Afeganistão mas também nas Filipinas e na costa da Somália. Agradeceu a cooperação do Paquistão e da Bósnia no combate ao terrorismo.Bush foi mais preciso no tema da economia, dizendo que o seu projecto para ultrapassar a recessão económica "se resume numa palavra: empregos". O Presidente ligou a criação de empregos à sua reforma da educação, ao seu plano energético e à sua proposta de um corte de impostos.A imprensa americana deu boas notas ao discurso de Bush, se bem que alguns analistas tenham lamentado que o Presidente não tenha apresentado propostas mais concretas no campo económico. Do lado da oposição, o líder do Partido Democrático na Câmara de Representantes, Dick Gephart, garantiu que os democratas estão "ao lado do Presidente" na guerra contra o terrorismo, mas garantiu que isso não significa que "concordemos totalmente quanto à economia".