Heliturismo pode levantar voo do Porto em Março

O maior operador de turismo no rio Douro prepara-se para iniciar uma nova etapa da sua actividade com "um investimento global de 400 mil contos" na construção de um heliporto ao lado do cais de Massarelos, na marginal ribeirinha do Porto, e na compra de um helicóptero "Bell Long Range" com seis lugares. A construção da infra-estrutura - uma placa quadrangular em betão com cerca de 26 metros de lado e apoiada em pilares de ferro enterrados no leito do rio - já começou e, segundo anunciou ontem Mário Ferreira, o presidente da empresa Helitours, responsável pelo investimento, deverá terminar "no início de Fevereiro". O novo serviço turístico poderia levantar voo no mês seguinte.Mário Ferreira pretende assim reforçar o "porfolio" de serviços de outra empresa por si liderada: a Douro Azul. Até agora, esta havia investido quase exclusivamente no turismo fluvial - dispõe de oito embarcações para o efeito, que, no ano passado, "movimentaram 54 mil turistas" ao longo do rio Douro e geraram "um volume de negócios superior a um milhão de contos". Quatro restaurantes e uma unidade hoteleira - o Solar da Rede (Mesão Frio), "primeiro 'franchising' do país com as Pousadas de Portugal" - completam a oferta deste operador. A Helitours, criada para promover o "turismo aéreo de negócios", será o próximo elemento da família."O projecto de localização, licenciado pela APDL [Administração dos Portos do Douro e Leixões], prevê que o helicóptero execute a aproximação ao heliporto sobre a linha de água, em voos diurnos e à vista, atenuando o ruído", explica aquele empresário. Não haverá voos à noite. As aproximações do aparelho podem ser feitas de nascente para poente (a partir da margem esquerda) ou vice-versa (passando sobre a Ponte da Arrábida), em corredores definidos para o efeito e, aparentemente, sem habitações por perto. Foi a APDL quem autorizou a localização, por ser sua a jurisdição sobre uma faixa com 50 metros de largura contados da margem para rio. Por sua vez, o Instituto Nacional de Aviação Civil já deu um "parecer favorável".A Helitours e o seu máximo responsável afirmam que a "área de instalação do heliporto não está igualmente incluída na zona sob alçada do Ippar [Instituto Português do Património Arquitectónico]", que abrange o edifício dos antigos frigoríficos, localizado no outro lado da rua, praticamente abandonado e entretanto classificado. Havia dúvidas sobre se o cais de Massarelos - e, portanto, o local onde aquela infra-estrutura ficará implantada - faz parte do "perímetro de protecção" daquele edifício. Ontem, Mário Ferreira garantiu que não. E também procurou sossegar os que temem que o ruído do aparelho possa afectar a vida local, assegurando que "isso não irá acontecer". Aparentemente, o empreendimento em causa "não está sujeito a estudo de impacte ambiental".Mário Ferreira afirma que "este projecto será rentável" se forem vendidas 660 horas de voo anuais - sendo que uma hora de voo vai custar 160 contos. "Já tenho um contrato com a Real Companhia Velha, para lhe vender 70 horas", revelou. Entre os programas a comercializar pela Helitours consta um passeio de dez minutos sobre a cidade do Porto.O aparelho tem uma velocidade média de 240 quilómetros por hora e "pode voar até Faro, sem parar, em cerca de duas horas". Foi comprado na Alemanha, onde fazia transporte de doentes. Por isso, tem um "kit maca" que pode ser utilizado retirando três dos seus assentos. A Helitours não exclui a possibilidade de colaborar com o INEM.Segundo Ferreira, este helicóptero "tinha mil horas de voo", está equipado com flutuadores, "para o caso de ser obrigado a fazer uma aterragem de emergência no rio" e dispõe de um "bom sistema de insonorização". A exploração do heliporto foi concessionada pela APDL por dez anos.