Acusado de entrada ilegal no país

Líder muçulmano Nur Misuari detido na Malásia

A luta da FMLN pela declaração de um Estado muçulmano independente no Sul das Filipinas já dura há mais de 20 anos
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A luta da FMLN pela declaração de um Estado muçulmano independente no Sul das Filipinas já dura há mais de 20 anos Jay Directo/AFP

O líder muçulmano filipino Nur Misuari, procurado sob a acusação de ser cúmplice de uma revolta sangrenta no sul das Filipinas, foi hoje detido numa ilha ao largo do estado malaio de Sabah, anunciou a agência noticiosa oficial Bernama.

O líder rebelde, fundador da Frente Moro de Libertação Nacional (FMLN) no início dos anos 70, bem como seis seus partidários, foram detidos na madrugada sob a acusação de entrada ilegal na Malásia, adiantou o chefe da polícia malaia, Norian Mai.Misuari é procurado pelo Governo filipino após ter desencadeado na segunda-feira uma rebelião na ilha de Jolo (no Sul do arquipélago), que provocou mais de uma centena de mortos.
Misuari foi demitido das funções de governador da região autónoma muçulmana de Mindanau pela presidente Glória Arroyo. Pouco depois, juntou cerca de seis centenas de militares e atacou uma série de postos militares naquela ilha.
Nur Misuari assinou em 1996, após 24 anos de guerrilha, um acordo com Manila e, posteriormente, foi eleito governador de Mindanau, onde reside a minoria muçulmana das Filipinas.
A detenção de Misuari surge dois dias antes da eleição do chefe do executivo do sul das Filipinas, votação que é considerada um teste para Glória Arroyo uma semana depois dos violentos acontecimentos em Jolo.
Mais de um milhão de eleitores estão inscritos para a votação em Jolo e Basilan, para onde foram destacados cerca de 11 mil soldados, que farão a segurança da eleição do sucessor de Misuari, uma votação que Manila recusou adiar.