Vinte anos depois do lançamento da primeira pedra

Catedral de Bragança é inaugurada hoje

Hoje, Dom António considera a batalha ganha
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Hoje, Dom António considera a batalha ganha Daniel Rocha

Vinte anos depois de ter sido lança a primeira pedra, é inaugurada hoje a Catedral de Bragança. É a única construída de raiz no último século em Portugal. Desde 1780 que a sede da Diocese de Bragança-Miranda tinha a incumbência de construir uma sé condigna. Ao longo de 300 anos, quatro tentativas de avançar com a obra fracassaram, e só em 1981, já com o actual bispo, Dom António Rafael, acabaria por ser lançada a primeira pedra. O orçamento inicial era de 80 mil contos, 20 anos depois já foram gastos mais de um milhão de contos. A obra continua inacabada, mas "o pai" do projecto não quis partir sem fazer "a grande inauguração" da "Catedral de Pedras Vivas" como lhe chama.

Apesar de a obra continuar inacabada, Dom António Rafael, bispo de Bragança-Miranda nos últimos 22 anos, não quis passar os destinos da diocese para o seu sucessor, Dom António Moreira Montes, sem antes fazer "a inauguração definitiva" da Sé Catedral, uma obra lançada há 20 anos. Decorre ainda a terceira fase de execução dos trabalhos: uma no valor de 520 mil contos, que está pronta e que consistiu na conclusão do corpo da igreja, da cripta e da sacristia; outra no valor de 270 mil contos, ainda a lançar e que se destina a erguer a sala capitular e do auditório. Ficam ainda por concluir os arranjos exteriores, "mas essa parte conseguimos retirá-la do PIDDAC, e ficou entregue à câmara, que vai candidatar o projecto ao terceiro Quadro Comunitário de Apoio (Q.C.A.)", explica ao PÚBLICO Dom António Rafael.

Para trás ficam duas décadas de dificuldades de vária ordem que originaram atrasos sucessivos e consequentemente derrapagens astronómicos nos custos do empreendimento. Quando chegou à diocese e decidiu avançar com a construção da catedral, o prelado aproveitou um projecto que já existia desde 1965, cujo investimento previsto era de oito mil contos. Depois de uma actualização financeira, estimou-se que a obra custaria 80 mil contos. Entretanto, o bispo quis conseguir a comparticipação do Governo, o que demorou vários anos. "Quando finalmente o Governo deu o seu aval, em 1987, já o projecto tinha sofrido alterações e custava 300 mil contos". Mas a empresa que adjudicou a obra faliu no ano seguinte e os trabalhos ficaram a meio, o que provocou novos atrasos. Depois de mais algum tempo e mais algumas remodelações, o valor global da obra foi estimado em 600 mil contos e, finalmente, depois da elaboração da terceira fase do projecto, o valor do empreendimento foi fixado em um milhão de contos. "Tem sido o cabo das tormentas", desabafa o bispo.

Dom António ansiava ter a catedral pronta já em 1995. Como tal não foi possível, nessa data fez a primeira inauguração ainda com as paredes em bruto, "uma inauguração funcional" que marcava a abertura deste local de culto para a realização de actos pontuais. No dia 10 de Julho de 2000, outra das datas apontadas para a conclusão da obra, os trabalhos continuavam atrasados e Dom António fez a dedicação da Sé.

Hoje, Dom António considera a batalha ganha, e, apesar de não ver a obra concluída, parte deixando tudo encaminhado. A "grande família diocesana" está convidada para a festa que vai começar na sé velha - "aí fazemos a cerimónia de despedida" - depois em cortejo, segue-se até à nova catedral: "Chegamos lá e abrimos a portas definitivamente a toda a comunidade".