Minas de urânio da Urgeiriça podem representar risco para a população

O responsável pela saúde pública chamou a atenção para a "a lixiviação de metais pesados que se podem introduzir na cadeia alimentar humana através das plantas que os absorvem pela água". "Estas plantas são consumidas pelos animais domésticos e também pela população da região onde existem vestígios da exploração durante décadas de urânio", frisou Bernardino Campos.O alerta foi hoje lançado durante uma conferência de imprensa realizada pelo Bloco de Esquerda (BE), na qual o deputado Fernando Rosas alertou para o "perigo" do desmantelamento da Empresa Nacional de Urânio (ENU) com o objectivo de a substituir por outra empresa, a Exmin, que vai gerir as minas e os resíduos resultantes da exploração.
Rosas garantiu que o BE vai fazer regressar esta questão à Assembleia da República, em Setembro, para que o novo ministro da Economia, Braga da Cruz, responda pelo "incumprimento da promessa em que o Governo garantiu que seriam os técnicos da ENU a fazer a recuperação ambiental dos vários coutos mineiros".
"São eles [os técnicos da ENU] que conhecem a situação e não outros que venham a ser contratados pela nova empresa, claramente fruto de 'lobbies' com objectivos de aceder aos milhões que vão estar disponíveis para se procederem aos trabalhos de recuperação ambiental", defendeu o deputado do BE.

Risco da interrupção dos trabalhos de recuperação ambiental

A questão que, no entanto, mais inquieta o BE é a "quase certa interrupção dos trabalhos de recuperação ambiental e monitorização das escombreiras - ricas em material radioactivo e lixiviações - destas minas". "É toda a bacia do Mondego que está em causa e, por essa razão, não se percebe como é que o Governo permite que as minas de urânio da Urgeiriça fiquem, alguns meses que seja, sem um controlo efectivo no terreno", disse Fernando Rosas.Outra das preocupações reafirmadas por Fernando Rosas e sublinhadas pelo delegado de saúde foi a possibilidade de existir "uma incidência de alguns tipos de cancro nos trabalhadores que passaram pelas minas", e que totalizam quase mil pessoas.
O delegado de saúde Bernardino Campos lembrou que "embora as neoplasias (cancros) não tenham uma taxa de incidência superior ao resto do concelho em Canas de Senhorim, a verdade é que a grande maioria dos trabalhadores é de fora do concelho e, por isso, de mais difícil verificação". No entanto, Bernardino Campos afirmou que estão a preparar um estudo que inclua os ex-trabalhadores que não estão no concelho, para ter uma "ideia clara" da situação.

DRAs minas de urânio desactivadas da Urgeiriça podem contaminar a cadeia alimentar