Depois da saída dos EUA

Austrália também abandona Protocolo de Quioto

Os ecologistas lamentam a posição australiana e norte-americana
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Os ecologistas lamentam a posição australiana e norte-americana DR

A Austrália não vai, à semelhança dos Estados Unidos, ratificar o Protocolo de Quioto, um acordo que necessita do acordo de 55 países para controlar a emissão de gases que provocam o chamado efeito estufa e o consequente aquecimento global. O motivo da retirada de Camberra é simples: o Governo considera que o acordo já está "morto" com a saída dos norte-americanos.

Representantes de partidos ecologistas de todo o mundo, reunidos em Camberra na conferência "Global Greens 2001" para analisar a situação mundial, lançaram já críticas ao ministro do Ambiente australiano, Robert Hill, que não acredita "que o protocolo de Quioto possa manter-se sem os Estados Unidos", como disse à estação de televisão norte-americana Seven Network.O tratado, que data já de 1997 e que teve um capítulo essencial de discussão em Haia, no ano passado, necessita, para entrar em vigor, da ratificação de 55 países garantindo igualmente que esses países sejam responsáveis por mais de 50 por cento da emissão de gases para a atmosfera.
Os Estados Unidos são responsáveis pela emissão de 25 por cento dos gases para a atmosfera, ao passo que a Austrália é o maior emissor de gases
per capita.George W. Bush abandonou o protocolo em Março, alegando que os países mais desenvolvidos não eram abrangidos pelo acordo.
Os ecologistas lamentam os desenvolvimentos mais recentes: "O mundo tem que fazer uma escolha simples: entre Bush e os nossos netos. Howard [o primeiro-ministro australiano] escolheu o presidente Bush", disse o senador australiano Bob Brown, eleito pelos Verdes locais. Brown atacou ainda o Governo, acusando Camberra e Washington de estarem a dividir a Europa e Tóquio para "matar o acordo".
Os participantes na conferência dos partidos ecologistas estão já a preparar um plano para boicotar as companhias petrolíferas norte-americanas, de forma a protestar contra a decisão de Bush em relação ao Protocolo de Quioto, anuncia a Lusa.

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