Dez anos a falar ao telemóvel

Nada alguma vez teve tanto sucesso em Portugal quanto o telemóvel. Não sendo necessariamente um sinal de desenvolvimento, como ousou afiançar um ex-governante, a extrema popularidade do telefone celular é porém testemunho seguro dessa grande vocação nacional: comunicar. Há 10 anos.

1989: O ano de todos os fardosQuando surge a primeira rede analógica em Portugal (a operar na banda dos 450 MHz), fruto de um esforço conjunto dos CTT e dos TLP e sem qualquer concorrência,, adquirir um telefone móvel era exclusivo de determinadas classes sócio-económicas. Os primeiros clientes foram os membros do governo, seguindo-se os executivos das empresas e depois os profissionais liberais. Eram pouco mais de dois mil clientes, para uma rede de cobertura extremamente reduzida e de comunicações muito difíceis.Os aparelhos eram uns monos pesados, a variar entre os cinco e os sete quilogramas, quase sempre acoplados ao tablier do automóvel, e na versão "portátil" em quase tudo parecidos com uma pesadíssima pasta de mão. De mais a mais, caríssimos - dos 600 aos mil contos -, fornecidos por apenas três fabricantes e sem mostrarem ainda qualquer predisposição para a dieta que se seguiria nos anos seguintes e que os tornaria bem mais apetecíveis, esbeltos, ágeis, leves e baratos.1990: Uma rede medida ao quilómetro de estradaO raio de acção dos telemóveis, inicialmente limitado às áreas metropolitanas de Lisboa, Porto e Cascais (havia muita classe política a residir na linha do Estoril), estendia-se progressivamente ao longo do ano até à zona empresarial de Braga e, depois, ao litoral algarvio e ao percurso Lisboa-Porto. Na essência havia rede onde existisse um eixo rodoviário de importância. As cidades do interior eram as que estavam mais mal servidas.Pelo final do ano, as expectativas em torno da iminência do governo ir abrir um concurso público para atribuição de uma licença de exploração do serviço móvel celular (ou serviço móvel terrestre de tecnologia digital), apontavam para que o telemóvel se tornasse, a curto prazo, mais pequeno e totalmente portátil, para além de que a rede garantiria comunicações mais fáceis.Mas essas não eram mais do que expectativas. Continuavam a prevalecer as três diferentes versões de aparelhos telefónicos móveis - de viatura, portátil e mista - com os preços a oscilarem agora entre os 430 e 557 contos, ao que se somava mais uma taxa de 6.500 escudos mensais e o preço de oito escudos e meio nas chamadas efectuadas. O número dos utilizadores começava a aumentar: no fim de 1990 eram já 6.500.Por estes tempos o telefone de automóvel não era um bem muito procurado pelos assaltantes (valeria cerca de 50 contos num receptador), muito embora a polícia já tivesse feito apreensões de telefones roubados de veículos: julgava-se nestes casos que o ladrão se tinha enganado, confundindo o telefone com um auto-rádio.1991: A liberalização do mercadoCorre o ano tranquilamente quando o ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Ferreira do Amaral, aprova por portaria o regulamento do concurso público para atribuição de uma licença para a prestação do serviço móvel terrestre de tecnologia digital, funcionando na frequência dos 900 MHz, dentro do chamado protocolo GSM (Global System for Mobile Communications).Poderosos grupos e consórcios saltam à praça em luta aguerrida pelo lugar que o governo iria abrir à iniciativa privada, a par daquele que já deixara claro ir atribuir directamente à já activa empresa de capitais públicos TMN, constituída formalmente no dia 23 de Março com participação dos CTT, dos TLP e da Marconi. Da batalha entre os privados sai vitoriosa em Agosto a Telecel (constituída maioritariamente pelo Grupo Espírito Santo e o Grupo Amorim) que viria a entrar em actividade ainda em meados de Outubro.Nesse momento ficavam definitivamente marcadas as diferenças que separam os dois sistemas e que, a muito curto prazo, acabariam por "enterrar" a rede analógica. No fundo tratava-se de escolher entre o antigo sistema, o analógico, que era caro, pouco usado na Europa, que funcionava mal na ligação entre as diferentes estações, em que havia grande congestionamento de canais a determinadas horas e em que os aparelhos eram ainda muito caros (nunca abaixo dos 400 contos) e pesados (nunca menos de dois quilogramas); e o novo sistema, que respondia por uma belíssima sigla (GSM), que era digital, que estava standardizado para a rede pan-europeia, com tarifas mais reduzidas e em que os aparelhos surgiriam mais leves, a pesarem entre 200 e 500 gramas, e com um preço médio de 200 contos.Nos escassos meses de actividade neste ano, as duas operadoras juntas tinham em carteira 12.600 assinantes, dos quais 7500 pertenciam ainda ao sistema analógico gerido em regime de exclusividade pela TMN. Perante tais resultados, os mais optimistas não demoraram a fazer o vaticínio de que haveria um milhão de utilizadores de telemóvel em Portugal no virar do século. Faltou-lhes optimismo ainda assim: na realidade haveria de se contar 6,665 milhões de utentes no final de 2000.1992: A subsidiação dos telemóveisNa luta por um lugar ao sol - ainda muitos acreditavam só haver um lugar ao sol no mercado português -, as duas operadoras dão uma mãozinha para a descida de preço dos aparelhos, antes mesmo até de porem as suas novas redes digitais em funcionamento. Graças à política de subsidiação da compra dos aparelhos, para que estes se tornem mais acessíveis aos consumidores, já há telemóveis no mercado a rondar os 150 contos.Em Maio, a TMN tornava possível fazer a primeira chamada telefónica através do sistema digital, mas só em Outubro - aliás à semelhança do que aconteceu com a Telecel - é que haveria de arrancar com a exploração comercial do serviço GSM. Daí e até ao final do ano, os dois serviços concorrentes haviam de registar um total de 37.300 assinantes, pondo em prática taxas de ligação ao serviço e assinaturas mensais muito idênticas: a primeira entre os seis e os sete contos e a segunda a rondar os dez mil escudos. No preço das chamadas também não apresentavam grandes diferenças.1993: A "lei da dieta" e os novos vocábulosPassado um ano sobre a entrada em funcionamento das duas operadoras, os valores das vendas de telemóveis triplicaram em Portugal. Estava assumida a nova paixão galopante dos cidadãos portugueses, de tal forma deleitados com o novo brinquedo que disparam também as vendas de acessórios para o telemóvel, como o "kit mãos livres" que integra o sistema de alta voz.No final de 1993 contava-se já com 101.200 telefones celulares, para o que muito contribuiu sobretudo a descida de preço dos aparelhos. Este é, aliás, o ano em que aparece o primeiro telemóvel abaixo dos 100 contos: um Motorola, comercializado pela TMN, e que custava 85 contos. E o "boom" ainda estava para vir, com a previsão de uma entrada em força dos fabricantes japoneses no mercado e os maiores produtores do sector das telecomunicações móveis a assumirem a "lei da dieta" dos aparelhos - reflectida no peso, tamanho e preço, todos menores, e também nos tempos de repouso e conversação, esses maiores - como condição de sobrevivência no mercado.Cada novidade tinha que ser mais leve e mais pequena que o último modelo apresentado pela concorrência e, acima de tudo, mais barata, muito mais barata: os preços dos aparelhos, já então em queda, iriam baixar a muito curto prazo para valores bem próximos dos 50 contos. O telemóvel democratizava-se. E, no meio de tudo isto surgia a Nokia a ditar muitas das regras, fazendo entrar para o vocabulário novos conceitos como a compatibilidade dos aparelhos telefónicos com os "laptop" e os gravadores de som.Este é o ano em que começam a aparecer também as primeiras dívidas incobráveis, por parte de clientes que se esquecem de pagar a conta às operadoras no fim do mês. TMN e Telecel ainda não perdem o sono por causa disso. Será assim por muito pouco tempo.1994: Portugal com "medalha de bronze"O telemóvel ganhava definitivamente o estatuto de "coqueluche" das comunicações móveis em Portugal, a registar taxas de crescimento raras vezes atingidas noutros países e uma taxa de penetração de 1,73 por cento que elevava Portugal aos lugares cimeiros da Europa: em terceiro lugar, logo a seguir à Alemanha e à Dinamarca, e à frente do Luxemburgo, da Suécia, Suíça, França, Bélgica, Finlândia, Noruega e Reino Unido.Dos 173 mil portugueses com telefone móvel, apenas 25 mil permaneciam na rede analógica. Valores estes que traduziam assim uma importante alteração no espectro das comunicações móveis em Portugal: o número de utilizadores das redes digitais ultrapassava finalmente o dos utilizadores da rede analógica (esta última já só detinha 30 por cento do mercado quando um ano atrás possuía o dobro).O êxito dos telemóveis, com números de vendas na ordem do dobro dos "pagers", eclipsou mesmo este pequeno aparelho que emite o sinal sonoro "bip-bip" para avisar o seu utilizador que tem uma mensagem que pode ser lida no visor. Curiosamente, por esta altura, o envio de mensagens escritas - disponível apenas nos "pagers" - não era ainda muito popular entre os adeptos das comunicações móveis. O telemóvel de plástico a brincar é também um êxito de vendas num dos hipermercados portugueses. Os meninos e meninas do país exigem um brinquedo como o do papá e da mamã.1995: "Tou chim? É para mim!"O actor João Vaz sobe a um pasto serrano com um rebanho de ovelhas e dá a Portugal inteiro o mais emblemático anúncio publicitário da explosão dos telemóveis em Portugal: "Tou chim? É para mim!", grita ele para um país inteiro em que 340.800 cidadãos já andam de telemóvel à cinta. O anúncio televisivo, que é o primeiro da Telecel, valeu à agência criadora, a Young & Rubicam, e ao seu "pai", Edson Athaíde, um dos mais conceituados prémios da publicidade. Só neste ano foram vendidos 150 mil novos aparelhos, com a Ericsson e a Nokia a assumirem-se como líderes incontestados do mercado.1996: Morra o telemóvel, morra, pim Exasperado com a profusão de telemóveis por toda a Europa, Umberto Eco descreve-os violentamente como "sinal de inferioridade social" e "estigma de pobreza". Para este escritor só havia quatro categorias de pessoas autorizadas a possuir legitimamente telemóvel: os deficientes, os jornalistas, os médicos e as mulheres e maridos a braços com relações extraconjugais. Todos os outros seriam "um miserável, um yes man que é obrigado a responder sempre ao patrão ou ao banco que o persegue por todo o lado". Também António Barreto faz cruzada contra os telemóveis, vaticinando que por finais desse mesmo ano começaria a surgir a proibição de usar telemóvel em determinados locais públicos.E é da Assembleia da República que vem o primeiro exemplo. Era aí aliás que muito provavelmente se concentravam mais telemóveis por metro quadrado (se exceptuarmos os clubes de futebol): discutiam-se assuntos de interesse e importância nacional, conversava-se alegremente ou de semblante carregado, avisava-se para casa que se chegava tarde para o jantar e até no plenário, enquanto outros discursam, se escutava o zunir das conversas telefónicas. Almeida Santos não vacila e silencia a balbúrdia sonora: os senhores deputados são desaconselhados de usar o telemóvel no hemiciclo.Conselho idêntico é dado pelos restaurantes lisboetas Massima Culpa, no Bairro Alto, e Trattoria, na Rua Artilharia 1: ambos, nas suas ementas, deixam claro o aviso de que "o uso do telemóvel à hora da refeição pode alterar a cozedura do risotto ou da pasta".Mais do que um aviso, o Código da Estrada, depois de alterado, determina que "é proibida a utilização de aparelhos radiofónicos cujo funcionamento continuado requeira o uso continuado das mãos". Só em Janeiro deste ano são multados 56 automobilistas que conversavam pelo telefone móvel enquanto conduziam.A guerra de preços dos equipamentos fica ainda mais acesa, muito graças também ao "período de ouro" vivido pelas duas operadoras (TMN e Telecel), que juntas já haviam conquistado um total de 663.700 assinantes.Dos telemóveis mais simples e baratos, à venda em qualquer hipermercado (já se compra um por 40 contos), aos topos de gama profissionais, o mercado diversifica-se e segmenta-se. Estatuto já não é ter telemóvel, estatuto é ter o último modelo, como o então mais recente Nokia, que introduzia no mercado a novidade de um telefone móvel compacto com agenda incorporada, fax e acesso à internet (340 contos), ou o Motorola com 100 gramas, dez centímetros de comprimento e pouco mais de dois de espessura, a custar quase 300 contos.Agora já se fala em design. O telemóvel quer-se mais que funcional, quer-se belo. Mas é o lançamento do primeiro telemóvel pré-pago, o Mimo "pronto-a-usar" da TMN (aparelho recarregável no multibanco, sem assinaturas mensais nem formalidades contratuais), que vai revolucionar o mercado. E desta feita no sentido da massificação total e irreversível. Pela primeira vez em Portugal foram "instalados", ao longo do ano, mais telefones móveis do que telefones fixos.As duas operadoras artilham as suas redes com um menu de opções e serviços, desde o já rotineiro atendedor de chamadas ao envio de mensagens escritas, à identificação prévia e transferência de telefonemas, passando pela ligação ao fax, ao computador e à Internet. Entra também em funcionamento o serviço de telemultibanco.E, conforme as duas operadoras existentes no mercado se preparam para apresentar resultados positivos no final deste ano, começa a mostrar-se cada vez mais para breve a atribuição de mais uma licença de exploração.António Rosa, cantor-pimba, leva para todas as romarias e festas de Portugal, assim como para o top 20 dos discos mais vendidos, uma cançãozinha cujo refrão lá nos avisa "Telemóvel para aqui/telemóvel para ali/é o que se vê/onde quer que se vá".1997: A explosão na venda de aparelhosCinco anos após a introdução da tecnologia GSM, o número de telemóveis em Portugal chegou ao milhão e meio: contam-se já 1,507 milhões de assinantes, em que mais de metade são novos clientes conseguidos durante este ano apenas.Com estes números, a redução dos preços dos aparelhos, assim como dos tarifários, era já incontornável a curto prazo, antes mesmo de entrar no mercado um terceiro operador, possibilidade esta que já vinha sendo avançada desde que as duas operadoras em funcionamento começaram a apresentar lucros elevados (em 1997, na ordem dos 24,5 milhões). Por esta altura, a factura de telemóveis paga pelos portugueses era a segunda mais alta da Europa (atrás apenas da Suécia): cada cliente rendia em média 14 contos mensais à respectiva operadora.O peso dos aparelhos pesa-se já às gramas e o seu preço é quase insignificante: compra-se um telemóvel por um custo imediato de simplesmente cinco contos. Este foi também o ano da "batota 931": inúmeros utilizadores de telemóvel da rede Telecel faziam chamadas directamente para o gravador de mensagens de outro número da mesma rede sem gastar um único tostão, tudo graças a terem descoberto uma brecha no sistema. A Telecel havia disponibilizado um serviço para os seus clientes quando estes estivessem no estrangeiro, permitindo-lhes que ligassem para o gravador de mensagens de um outro cliente da mesma rede, pagando apenas o preço de uma chamada local, se digitassem o número 351931124 seguido do número de telefone que pretendiam. Porém, houve quem se apercebesse que procedendo a esta operação dentro de Portugal se conseguia aceder directamente ao gravador de mensagens de outros móveis Telecel sem ser debitado qualquer custo.1998: O milagre do terceiro operadorAntes da entrada em funcionamento da nova operadora, a Optimus (que iniciaria actividade em Setembro), registam-se novas quedas nos preços dos tarifários: Telecel e TMN jogam na antecipação.O público-alvo para a expansão assume-se definitivamente nos segmentos de menor poder de compra: a aposta dos fabricantes é feita na gama baixa, e a das operadoras na redução dos tarifários. Dos 3.074.600 utilizadores de telemóvel em Portugal, 80 por cento do mercado é constituído por assinantes de cartões pré-pagos, com especial incidência nesses modelos de aparelhos de gama baixa. Já antes TMN e Telecel haviam chegado aos estratos sócio-económicos mais baixos, através do lançamento dos seus telefones "prontos-a-usar", mas foi com a entrada da Optimus (que conquistou 278,4 mil clientes em apenas três meses), que caiu a imagem de elitismo tradicionalmente associada ao telemóvel.Isto num ano em que muitos pensavam que o mercado iria entrar na fase de maturidade e que dificilmente se manteriam as taxas de crescimento. Chega-se porém ao final de 1998 com mais de três milhões de portugueses a utilizarem a rede móvel (mais do dobro do número registado no ano anterior), ultrapassados apenas pela Itália e pelos países nórdicos, o que coloca Portugal no sexto posto do "ranking" europeu.1999: Nó górdioAo longo do ano, o número total de utilizadores de telemóvel cresceu para mais de quatro milhões e meio (4.671.500), número que começa a perfilar-se como um nó górdio para as duas operadoras há mais tempo no mercado: têm mais clientes, logo têm também o espectro mais saturado. E, perante esta dificuldade dificilmente superável, a rede entope irremediavelmente quando o tráfego dispara, sobretudo nos dois principais centros urbanos nas horas de pico. O valor revela ainda um outro dado especialmente importante: pela primeira vez em Portugal, o número de telefones móveis ultrapassou o número de telefones fixos (estes somando 4,144 milhões de assinantes).Para os consumidores chegam novas boas notícias ao ser levantada a proibição dos operadores móveis portugueses se ligarem directamente entre si ou a operadores estrangeiros. Com mais esta "liberalização" assistir-se-á a uma redução abrupta dos preços das chamadas internacionais feitas a partir de telemóveis.Entra em vigor uma nova norma de comportamentos: desligar o telemóvel junto às bombas de gasolina passa a ser regra, para evitar o perigo de explosões. O aviso foi dado por diversas gasolineiras em todo o país, seguindo as recomendações já feitas nos últimos meses do ano anterior por parte dos fabricantes de telemóveis, que alertaram para o facto de os aparelhos não serem blindados e poderem provocar faíscas.2000: O falhanço WAP e o êxito das SMSO acesso à internet através do telemóvel dá os primeiros passos no quotidiano português, prometendo uma nova revolução celular. As expectativas são de que a internet deixará de ser território exclusivo do computador com a entrada em cena da tecnologia WAP (Wireless Application Protocol) mas, ao longo do ano, o optimismo esmorece perante as fraquezas desse sistema. Afinal, aquilo a que se chega na internet é tão só a uma mão cheia de serviços de pequena monta disponibilizados por este ou aquele portal com que cada uma das operadoras faz acordo. O WAP não pega e depressa começa a rimar com "flop".O que pega e em força é o serviço de envio de mensagens escritas (SMS), verdadeiro fenómeno de massas posto a correr numa espécie de mundo paralelo a que só aqueles que são capazes de descodificar a linguagem têm acesso. É a forma de comunicação móvel privilegiada pelos utentes mais jovens que desenvolvem e "outorgam" um novo jargão para as comunicações móveis: ininteligível para muitos - adultos, sobretudo - esta é uma nova forma de comunicar muito mais barata do que falando a viva voz. Na Telecel, por exemplo, 20 a 25 por cento dos clientes utilizam regularmente o SMS, circulando em média 20 a 25 mil mensagens escritas por mês.Finalmente, liberdade é um conceito firmemente agarrado pela Optimus que lança no mercado o primeiro produto "livre". O utente não está onerado com a obrigatoriedade de carregar regularmente o telemóvel com uma quantia fixa de dinheiro: é eliminado o conceito de "consumo mínimo obrigatório". Pelo final do ano a taxa de penetração dos telemóveis ascende aos 66,7 por cento: são já 6.665 milhões os assinantes portugueses.2001: O mundo no telemóvel, para quando?Fala-se cada vez mais na terceira geração de telemóveis, dotados com a nova tecnologia UMTS (Universal Mobile Telecommunications System), a qual deverá possibilitar um acesso mais rápido a serviços multimédia, dotando os telemóveis com uma internet a cores, vídeo e áudio, videoconferências, controlo por voz e a capacidade de comunicar via rádio com os electrodomésticos caseiros. Antes de o governo ter atribuído em concurso público, ainda em Dezembro do ano anterior, as quatro licenças para que as operadoras pudessem entrar em actividade com o novo Sistema Universal de Comunicações Móveis, as expectativas de ter a internet no telemóvel voltam a ganhar fôlego. Mas por pouco tempo. Depressa se percebe que não haverá UMTS em finais de 2001 ou princípios de 2002, como fora aventurado. Todos os operadores europeus vão passando a mensagem de que tal só estará em funcionamento, na melhor das hipóteses, bem para os finais de 2002, senão mesmo mais tarde. O compasso de espera é justificado desde logo porque o sistema não está ainda assim tão perfeito como antes se esperava e os operadores não querem defraudar as expectativas.Ainda assim, são dados alguns sinais de novidade: as operadoras começam a comercializar a nova tecnologia GPRS (General Packet Radio System) - que já haviam apresentado no ano anterior -, a qual aumentará a velocidade de transmissão dos dados e a possibilidade de os enviar por pacotes. É o entrar na era do wireless email (w-e-mail), mas em pézinhos-de-lã, pois estes são os tempos em que reina o SMS.

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