Experimentadesign 2001: Como é que fazes o que fazes?

Depois daquela que foi apenas a sua primeira edição, em 1999, a verdade é que a Experimentadesign já quase dispensa apresentações. Segundo a organização, foram cerca de 33 mil visitantes aqueles que nesse ano inaugural acorreram aos ciclos, conferências e exposições propostos em Lisboa pela bienal, e mais de uma centena e meia aqueles que nela participaram como intervenientes. Este ano, é entre 16 de Setembro e 31 de Outubro que a Experimenta entra na sua segunda edição. Com novas metas a atingir."Mais ambiciosa", é assim que Guta Moura Guedes, a directora deste certame, define a edição de 2001 do projecto que em 1998 concebeu em estreita colaboração com Mário Sousa Santos - desta vez colaborador apenas como comissário. Estimular a capacidade criativa, crítica e produtiva portuguesa, estabelecer ligações mais estreitas entre a indústria e os criativos, contribuir para a formação de novos públicos e construir em Lisboa uma plataforma internacional de reflexão e experimentação continuam a ser as prerrogativas centrais do certame. No entanto, depois de repensada a edição de 99, centrada na exploração "das intersecções do e no design", surgiu como óbvia a necessidade de um alargamento da bienal a outras áreas criativas (das artes plásticas ao cinema, passando mesmo pela dança), constatando-se, por outro lado, a necessidade de pôr em prática "uma noção de design enquanto processo de criação". O que é que isso quer dizer? Em traços largos, por um lado, que cada vez mais e por um número crescente de pessoas é partilhada a vontade de explorar, reflectir e considerar os processos e todas as contingências a eles ligadas - em vez de apenas teorizar à volta de objectos finais, já concretizados. Por outro, que urge desmistificar semelhanças e diferenças entre diversos processos criativos como forma de eliminar ou minimizar as clivagens instituídas entre as diversas áreas da criação artística, cruzando, sempre que possível, a acção dos seus intervenientes. Foi, precisamente, desta reflexão que acabou por surgir o tema da Experimentadesign 2001: "Modus Operandi". "Como é que fazes o que fazes?" é a pergunta-desafio que o tema lança aos cerca de 250 participantes que ao longo deste ano se prevê estarem a colaborar com a Experimenta na elaboração e concretização de exposições, projectos e eventos - 14, ao todo, espalhados por espaços tão diversos como o Centro Cultural de Belém, a Cinemateca Portuguesa, a Sociedade Nacional de Belas Artes, o Centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian ou o Convento da Arrábida. "Os cruzamentos de áreas disciplinares, a influência de novas tecnologias, a emergência de estratégia de identidade e os retratos críticos de modos de fazer, históricos ou recentes, são alguns dos vectores do programa", explica o texto de apresentação elaborado pela organização da bienal, que anteontem organizou na sua nova sede (ver caixa) uma conversa aberta sobre o certame de 2001 e os seus conceitos e objectivos. Nessa conversa, era Eduardo Prado Coelho, um dos nove oradores convidados, quem explicava: "Ao procurar coisas que traziam alguma diferença em relação ao Portugal que eu conhecia há dez anos, a Experimenta era uma delas". Porquê?, perguntar-se-á. Sobretudo por considerar "categorias que punham em causa toda a minha experiência moderna da estética". Ora, não será de novo essa, exactamente, a grande cruzada dos criadores participantes na Experimentadesign 2001? As pequenas sinopses de projectos avançadas pela Experimenta poderão ajudar a esclarecer, desde já, a forma como desta vez alguns dos 250 criadores e comissários procurarão atingir esse ambicioso objectivo. "Designmatography II", por exemplo, concebido por Ricardo Matos Cabo com o apoio da Cinemateca, "propõe uma reflexão sobre o cinema enquanto processo de design, explorando vectores como o desenho de luz, de cor e de espaço, e a reorganização e intervenção directa sobre os materiais utilizados", enquanto "Pixel", uma criação do coreógrafo Rui Horta integrada nos Encontros Acarte 2001, será uma "reflexão sobre o corpo na era digital". "Luminocidades", concebido por João Paulo Feliciano, um dos organizadores da Experimenta, convida o artista plástico Pedro Cabrita Reis a fazer uma "iluminação criativa" de diversos edifícios e estruturas urbanas "com vista à reconfiguração da paisagem nocturna da cidade" - uma "incorporação no quotidiano daquilo a que eu chamava beleza", portanto, como dizia Prado Coelho em relação ao design.