Crítica

O Tigre e o Dragão

Quando Ang Lee disse que "O Tigre e o Dragão" era uma espécie de "Sensibilidade e Bom Senso" em versão artes marciais não estava apenas a fazer "boutade": "O Tigre e o Dragão", na verdade, continua a fazer eco do tema que percorre a obra do realizador, que já estava em "Sensibilidade e Bom Senso" (96) e nos anteriores "Comer Beber Homem Mulher" (94) e "O Banquete de Casamento" (93): o conflito entre o dever social e a liberdade individual que se materializa nas relações mestre/pupilo, pai/filho. Por aí, é um melodrama interior, uma serena "pintura" de emoções escondidas (a relação entre Michelle Yeoh e Chow Yun-Fat), tanto quanto depois se transfigura no exterior, quando os combates e a natureza são coreografados à medida justa das emoções que explodem. É filme de artes marciais para consumo ocidental? Ang Lee, natural de Taiwan, foi educado nos EUA. É impossível o seu olhar não estar contaminado pelo cruzamento cultural. Mas isso ainda carrega mais de nostalgia esta aventura por um China mítica.

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