Urânio empobrecido

França testa obuses com urânio empobrecido há dez anos

Pelo menos 1400 obuses com urânio empobrecido foram testados pelo ETBS, o centro de ensaio de armamento de Bourges (centro de França), desde há dez anos, e os últimos realizados datam do Outono passado, informa hoje o diário "Nouvelle-République".

"Entre 1990 e 2000 realizámos um número de lançamentos na ordem dos 1400 obuses de 105 e 120 milímetros [mm]", adiantou o ETBS ao jornal francês, acrescentando que esses tiros foram feitos num polígono de tiro específico e que o pessoal "foi objecto de um seguimento médico personalizado". Mesmo assim, cada um destes obuses contém entre três a cinco quilos de urânio empobrecido.O sindicato de oficinas e arsenal do Estado exige agora um inquérito que analise os efeitos do material no seu pessoal, a poluição no local e o tratamento dos detritos, refere a AFP.
As munições de urânio empobrecido foram utilizadas pela NATO na Bósnia em 1995 e na Jugoslávia em 1999, e pela primeira vez em 1991 durante a guerra no Golfo.

Perguntas e respostas sobre o Kosovo e as munições usadas pela NATO

  • O que é o urânio empobrecido (DU - depleted uranium)?


  • O urânio empobrecido é um subproduto do urânio natural, usado para fins militares (armas e submarinos nucleares) e civis (centrais nucleares). Segundo a NATO, o urânio empobrecido é 40 por cento menos radiactivo que o urânio existente no ambiente.

  • O que é o urânio ambiente?


  • O urânio natural existe no meio ambiente, em quantidades maiores ou menores dependendo das zonas e da sua respectiva geografia e características do solo. Por exemplo, em Portugal, a Guarda apresenta níveis de urânio natural muito superiores que os de Faro. Não existe, no entanto, um maior perigo para as populações.

  • Qual é a vantagem da utilização das munições de urânio empobrecido?


  • Uma das principais vantagens da utilização do urânio empobrecido na fabricação de armamento advém do facto de ser quase gratuito, uma vez que se trata de uma espécie de resíduo da indústria nuclear. Para além disso, quando disparado a 1641.18 quilómetros por segundo, é capaz de furar tanques e desfazer blocos de cimentos enterrados a três metros de profundidade.

  • Como é que o Ministério da Defesa americano justificou a utilização de munições de urânio empobrecido na Guerra do Golfo?


  • O Ministério da Defesa (MD) americano justificou o uso das munições de urânio empobrecido (DU) num relatório publicado por Bernard Rostker, em Julho de 1998. Nesse documento o MD americano afirmava que "o urânio empobrecido desempenhou um papel fundamental no sucesso das tropas americanas durante a Guerra do Golfo". Estas munições ficaram conhecidas entre os militares como 'balas de prata' pela sua vantagem letal contra os tanques inimigos. O relatório explica ainda que as munições de DU disparadas por aviões A-10 Warthogs e por tanques americanos destruíram milhares de veículos de combate inimigos, sem soferem uma só baixa.
    "Durante a Guerra do Golfo, o urânio empobrecido ajudou as tropas americanas a combater mais eficazmente e a defender-se com mais confiança", conclui o documento do Ministério da Defesa.

  • Quais foram as munições de urânio empobrecido usadas durante o conflito no Kosovo e na Bósnia?


  • As munições de urânio empobrecido usadas no Kosovo e na Bósnia pela NATO pertencem à categoria GAU-8/A (série PGU), preparadas para o canhão GAU-8/A Gatling de 30 mm.
    Da série PGU, a NATO usou preferencialmente a High-Explosive Incendiary PGU-13/B, que tem cerca de 29 cm (o comprimento de uma folha de papel) e pesa 378 gramas. A PGU-13/B tem uma velocidade de tiro de 1641.18 quilómetros por segundo e um penetrador de urânio empobrecido de alta densidade.

  • Quais foram os aviões usados nos bombardeamentos de munições de urânio empobrecido?


  • A NATO usou nos bombardeamentos os aviões antitanque A-10 Warthogs.

  • Quais são os efeitos a nível da saúde e do ambiente provocados pelo urânio empobrecido?


  • O urânio empobrecido é um metal pesado, muito denso. Quando as munições atingem os alvos libertam partículas radioactivas e poeiras contendo metais pesados tóxicos.
    Segundo alguns estudos, estas partículas - que viajam pelo ar - podem provocar um aumento do número de doenças oncológicas (cancro e leucemia), malformações congénitas e nados-mortos.
    A nível ambiental, o urânio empobrecido vai afectar toda a cadeia alimentar, contaminando terra, água e alimentos.

  • O que são dosímetros?


  • Os dosímetros são aparelhos para a detecção da radioactividades, que medem partículas alfa, núcleos de átomos de hélio, electrões ou positrões e radiações gama.

  • Há vários tipos de dosímetros?


  • Sim. Os mais potentes são os Geiger Miller, tubos geralmente com quatro ou cinco centímetros de comprimento por um ou dois de diâmetro. Os Geiger Miller podem medir até meio metro e, quanto maiores forem, maior é a sua sensibilidade para medir as radiações.
    Além destes aparelhos, existem pequenas películas fotográficas - semelhantes às usadas pelos dentistas para radiografar dentes - que têm cerca de três centímetros.
    Existem ainda dosímetros termo-luminescentes de apenas cinco milímetros.

  • Como é que funcionam estes aparelhos?


  • Nos Geiger Miller, as partículas que entram no aparelho vão ionizar o gás que está no seu interior, que transmitirá os sinais de radiações.
    Nos restantes dosímetros, quando se revelam as partículas, é possível saber a quantidade de radiação que receberam.

  • Como é que que está a usar os dosímetros sabe se os valores registados estão ou não dentro dos limites estabelecidos?


  • Todos os dosímetros são acompanhados por um livro de instruções, que para além de explicar o seu funcionamento, indica também os valores limites que não podem ser ultrapassados para não existir perigo de contaminação.

    Marta Fernandes