Desvio de trânsito do centro histórico afecta aldeias

Tomar vai deixar de ter o seu centro histórico cheio de viaturas que por aí têm de transitar por não haver alternativas. Mas a construção da variante pode comprometer a segurança nalgumas aldeias do concelho. É que o trânsito automóvel saído das vias rápidas IC3 e IC9 passará a circular por dentro de pequenas localidades, em estradas sinuosas e com pontões estreitos.

A cidade de Tomar está em vias de deixar de ver camiões e um intenso fluxo de automóveis a passar pelo seu centro histórico. Tudo devido à construção já em curso dos troços regionais do IC3 e do IC9, que completarão a variante circular a norte e a nascente do seu perímetro urbano. Mas estes investimentos rodoviários não agradam a todos os tomarenses e António Freitas, presidente da Assembleia de Freguesia de Alviobeira, é um dos mais inconformados. Uma das principais preocupações do presidente da Câmara de Tomar, António Paiva, após a sua tomada de posse, em Janeiro de 1998, foi reunir-se com autarcas da região para procurar resolver o problema das acessibilidades a Tomar e a vários concelhos vizinhos. O autarca está hoje satisfeito com a evolução das rodovias regionais, mas enfrenta as críticas de, entre outros, António Freitas, por alegadamente ter esquecido as zonas rurais do concelho. "O troço do IC3 desde a Guerreira até Algaz vai funcionar como variante a nascente da cidade e estará concluído até ao final de Junho do próximo ano - prevendo-se que sejam investidos cinco milhões de contos nos 17 quilómetros previstos para o troço", revelou António Paiva. O autarca adiantou que "a circular a Tomar ficará completa com a construção do troço do IC3 entre Carregueiros e Algaz, na extensão de três quilómetros, cujo projecto de execução já foi lançado e que, segundo o secretário de Estado das Obras Públicas, deverá estar concluído já no início de 2001". António Paiva esclareceu ainda que o troço do IC3 entre a Guerreira e a Atalaia será em via dupla, ligando-se assim ao IP6. "Ficará deste modo solucionado o problema do tráfego que é obrigado a passar ainda pelo centro histórico de Tomar. Dentro de alguns meses, o tráfego automóvel transitará de Carregueiros até à Guerreira, sem ter de passar pelo meio da cidade", observou o presidente da Câmara de Tomar, salientando "a abertura revelada por responsáveis do Instituto de Estradas de Portugal e do Instituto para a Construção Rodoviária". Quem não está totalmente satisfeito com as consequências resultantes destes investimentos rodoviários é António Freitas, autarca de uma zona rural do concelho. "O que vai acontecer em breve é que o trânsito automóvel vindo quer do IC3, quer do IC9, vai convergir em Algaz e, a partir daí, flui em conjunto, passando por dentro de aldeias como Freixo e Ceras, cujas estradas e pontões não estão preparados para receber o intenso fluxo automóvel que se prevê", observou António Freitas.Para além de notar que "os troços da EN110 que atravessam as aldeias já têm uma elevada sinistralidade", António Freitas esclareceu que "há uma forte tendência psicológica, comprovada, dos condutores que saem de uma via rápida em continuarem a conduzir a altas velocidades nas estradas que se lhe seguem, mesmo que as suas características imponham velocidades mais reduzidas". E a questão é que o autarca de Alviobeira teme que a travessia das aldeias do concelho de Tomar provoque "constantes acidentes e perdas de vidas humanas, ainda pior do que já é actualmente". A situação pode ser ainda mais grave porque, como António Freitas sublinhou, "as duas futuras vias rápidas vão atrair mais trânsito, como é normal". O que o autarca de Alviobeira exige é que se lance rapidamente o concurso para a construção dos futuros troços do IC3, de modo que as vias rápidas não continuem durante anos a "desembocar automóveis nas aldeias, que não estão preparadas para tal". "Já fiz uma exposição ao governador civil de Santarém, alertando-o para a situação. Recentemente, numa passagem pela região, prometeu que alargaria alguns pontões. Vamos aguardar. O que eu sei é que a antiga Junta Autónoma de Estradas gastou há dois anos 50 mil contos em obras de beneficiação na ponte de Ceras - e um valor tão elevado pode significar que o trânsito intenso vai continuar a passar por lá e que a construção dos novos troços do IC3, para tirar o trânsito das aldeias, ainda pode demorar muito tempo", reparou António Freitas. O autarca criticou António Paiva por, nos contactos que estabeleceu com o secretário de Estado das Obras Públicas, não ter chamado devidamente a atenção para o problema que se vai criar nas zonas rurais de Tomar e garantiu que, quando os troços das vias rápidas forem inaugurados, promoverá uma manifestação de protesto. "Por favor, não façam vias rápidas a desembocar o trânsito dentro de aldeias", será o cartaz que apresentará na manifestação. Sobre as críticas de que é alvo, António Paiva (PSD) garantiu que "há nelas forte motivações políticas", já que António Freitas foi eleito pelo PS. "O assunto está a ser devidamente acompanhado pela Câmara de Tomar. Está já a ser feito o estudo prévio da via rápida que irá de Algaz para Norte até Condeixa-a-Nova e o processo até ao final das obras não deverá ser tão demorado como isso", observou o autarca nabantino - notando que o executivo camarário está, no entanto, preocupado com "alguns pontões na estrada que passa pelas aldeias e que precisam de urgentes obras de alargamento".