A maior ponte pênsil do mundo

Para competir com os principais centros europeus, Dinamarca e Suécia ultrapassam o limite das suas fronteiras e criam a primeira região transnacional, em Oresund. Instrumento vital para a sua projecção, a Ponte de Oresund, que será inaugurada em Julho, é considerada o pilar principal que sustenta este projecto.

Novo elo de ligação entre a Suécia e a Dinamarca, a Ponte de Oresund constituirá, a partir de Julho, a nova alavanca de desenvolvimento de um dos centros mais prósperos da Europa do Norte - a região da Escandinávia do mesmo nome. Obra de engenharia notável, em que nada foi deixado ao acaso, o projecto aposta no reforço das relações entre os dois países, quebrando rivalidades antigas. E, com ele, numa maior projecção em relação ao resto da Europa.Já em fase de conclusão, a Ponte de Oresund, que ligará Copenhaga, a capital da Dinamarca, à terceira mais importante cidade sueca, Malmö, no Sudoeste do país, passará a ser a espinha dorsal da região, e representa um investimento de mais de 415 milhões de contos, co-financiados pela União Europeia (UE), através do programa Interreg II. Oresund, outrora exclusivamente dinamarquesa, contribui hoje para um quinto do produto interno bruto de cada um dos países.Ao integrar as áreas sueca e dinamarquesa pertencentes à região, esta construção funciona como um instrumento para elevar Copenhaga no "ranking" dos principais centros europeus, competindo com Berlim, Hamburgo e Estocolmo, entre outros. A área metropolitana de Copenhaga, em termos de produção bruta, está em 19º lugar na média europeia, mas com a integração da produção das cidades suecas de Malmö e Lund esta região ascenderá ao 11º lugar. Com a nova infra-estrutura, que beneficiará directamente uma população de 3,5 milhões de habitantes (dois terços dos quais na parte dinamarquesa e um terço na parte sueca), pretende-se optimizar a rede de comunicações entre a Suécia e a Dinamarca, traduzindo - nas palavras de Svens Landelius, director do Consórcio de Oresund, responsável pela obra - "um desenvolvimento mais amplo, assente na cultura, no compromisso e na curiosidade humana". Segundo Svens Landelius, com a inauguração da ponte, prevista para 1 de Julho, consolida-se a "ponte espiritual que já liga dinamarqueses e suecos", pondo fim a séculos de rivalidades.Desde a sensibilização das populações às questões de segurança, passando pela reorganização político-administrativa da região, tudo neste megaprojecto mereceu a atenção das entidades suecas e dinamarquesas envolvidas. Compõem a nova ligação fixa entre os dois países um túnel, uma ilha artificial e a ponte propriamente dita, numa extensão total de 16 quilómetros. Tomando como ponto de partida o lado dinamarquês, veículos automóveis e comboios entram no maior túnel submerso do mundo - quatro quilómetros de comprimento -, indo desembocar na ilha artificial de Peberholm, que estabelece a ligação a uma ponte de dois tabuleiros: um superior, destinado à circulação ferroviária, e outro inferior, que recebe uma via rápida para circulação rodoviária. Também esta ponte, de 7,8km de comprimento, é "recordista", já que é a maior no mundo sustentada por cabos.Para garantir segurança máxima aos utentes, o Consórcio de Oresund acolheu as recomendações das autoridades policiais, serviços de protecção civil e corporações de bombeiros da Suécia e da Dinamarca. Trata-se, na opinião do director do programa de formação e treino dos serviços de emergência, Erling Johnnesson, de "um plano transfronteiriço entre dois países que é único no mundo". Instruções de emergência emitidas via rádio, em caso de incêndio, por exemplo, são uma das medidas adoptadas e que poderão evitar eventuais situações de pânico no interior do túnel, onde de 100 em 100 metros existem saídas de emergência para uma galeria central.Polícias, bombeiros, médicos, enfermeiros, equipas de socorro e de vigilância, num total de duas mil pessoas, têm estado envolvidos num programa de emergência, leccionado em sueco e dinamarquês, que inclui simulações de acidentes rodoviários e ferroviários no túnel e nos tabuleiros da ponte e que, a partir de Maio, abrangerá os 16km do percurso. Cabe ao Consórcio de Oresund assegurar boas condições de operacionalidade às equipas de socorro, desde as lâmpadas indicadoras dos locais onde são necessárias à desobstrução rápida e eficaz de acessos para a passagem de ambulâncias.O tráfego é permanentemente vigiado por supervisores de trânsito através das 200 câmaras colocadas ao longo de toda a ligação. Classificada já como "área-modelo" pela União Europeia, não será difícil aos governos sueco e dinamarquês cumprirem um dos objectivos que se propuseram: transformar Oresund numa das áreas metropolitanas mais limpas da Europa.Dada a importância ambiental do estreito de Oresund, que a nova ponte atravessa - fornecer sal e águas oxigenadas ao mar Báltico -, foi imposto aos construtores que a obra não constituísse obstáculo a mais de cinco por cento do caudal das correntes marítimas, permitindo que estas continuem a circular e a cumprir a sua função. Mais: para compensar estes cinco por cento, as dragagens a efectuar no estreito tiveram de ser controladas, uma vez que os detritos que causam são prejudiciais à fauna e à flora marítimas. Em períodos de maior sensibilidade, estas dragagens são mesmo proibidas.Os cuidados postos na preservação da qualidade ambiental não impediram, contudo, que uma voz crítica se erguesse. A do dono de uma empresa de transportes dinamarquesa, Kurt Larsen, que se diz "envergonhado" pela ausência de um debate com as firmas congéneres sobre limites a impor ao tráfego ou reduções no preço das portagens para transportes nocturnos, de modo a evitar congestionamentos e poluição.