Comboio eléctrico até Cête

A electrificação da Linha do Douro da CP chegou ontem à estação de Cête, em Paredes. A frequência dos comboios vai ser reforçada e, daqui por dois anos, chegam carruagens mais modernas e confortáveis. Em 2002, a modernização deverá chegar a Penafiel.

O novo serviço ferroviário entre o Porto (estação de S. Bento) e Cête foi ontem oficialmente estreado, tendo participado na viagem inaugural uma numerosa comitiva integrada por responsáveis da CP e da Refer e ainda por representantes de algumas das autarquias abrangidas por aquele troço. A entrada em vigor do horário de Inverno foi aproveitada para a inauguração do novo sistema de circulação, tornado possível pela electrificação agora concluída do sub-troço entre Valongo e Cête. Recorde-se, a propósito, que as cidades de Ermesinde e Valongo já se encontravam unidas por via dupla e electrificada desde Setembro de 1995. A extensão da modernização da Linha do Douro até Cête (a duplicação da via consumara-se em Junho último) permite que doravante circule nessa linha um maior número de comboios, com acréscimos apreciáveis na frequência e na velocidade. Assim, no sentido Porto-Cête, haverá um fluxo diário de 38 comboios, 21 dos quais estarão afectos às horas de ponta; no percurso inverso circularão 35 comboios, 23 deles concentrados nas horas de maior movimento de passageiros. A substituição das velhas automotoras movidas a diesel pelas suas congéneres eléctricas proporcionará igualmente uma diminuição dos tempos de percurso. Se antes a distância entre o Porto e Cête (cerca de 35 quilómetros) era percorrida numa hora, a viagem passará a fazer-se em 48 minutos; a médio prazo, o objectivo é reduzir ainda mais este tempo, fixando-o em 35 minutos.Este desígnio só poderá, todavia, concretizar-se quando entrarem ao serviço, em finais de 2001, as chamadas unidades múltiplas eléctricas, cuja aquisição está actualmente em fase de concurso. Como referiu ontem Fernando Ávila, responsável máximo da Unidade de Suburbanos do Grande Porto (departamento da CP), as 22 novas composições permitirão aumentar a rapidez e a comodidade do serviço. Assim, as entradas e saídas mais largas vão proporcionar tempos de paragem mais reduzidos nas estações; por outro lado, os comboios serão dotados de um moderno sistema de suspensão que diminui as habituais oscilações; as carruagens serão climatizadas e equipadas com isolamento reforçado e janelas duplas para reduzir os níveis de ruído. Finalmente, estarão ainda disponíveis indicadores electrónicos interiores e exteriores com informações sobre paragens e destinos.Segundo o vice-presidente da Refer, Vilaça e Moura, o pacote de modernização da linha do Douro ontem inaugurado implicou um investimento de cerca de dez milhões de contos, o qual não irá quedar-se por aqui. Está já prevista a extensão da electrificação até Penafiel e Caíde; a adjudicação deste novo troço deverá acontecer já no próximo mês, calculando-se que apenas no horário de Inverno de 2002 seja possível estreá-lo com as novas composições. A electrificação da linha chegará ao Marco de Canaveses no ano seguinte.Em paralelo com esta melhoria da circulação, a Refer tem em curso o aperfeiçoamento dos sistemas de sinalização e controlo. Substituindo os tradicionais despachos por via telefónica (ainda sujeitos às falhas humanas), será instalado um modelo de funcionamento automático nas linhas do Douro (até Cête) e Minho (até Lousado/Santo Tirso). O director do projecto Porto e Norte da Refer, Xavier de Campos, espera que daqui a um ano o novo sistema possa estar operacional entre o Porto e Cête, sendo o controlo efectuado a partir de um posto colocado em Ermesinde. A modernização deste sector está orçada em 6,5 milhões de contos. As passagens de nível, essas, estão com os dias contados. Como salientou Xavier de Campos, o objectivo da Refer é suprimi-las a todas. Em alternativa, 29 corredores desnivelados foram já concluídos e cinco estão em embrião. A empresa ferroviária está também empenhada em favorecer a ligação do comboio a outros meios de transporte, apostando, de parceria com outras entidades, na construção de interfaces e de parques de estacionamento junto às estações. A aquisição de bilhetes nestes locais será igualmente facilitada, com a implantação nas gares de várias máquinas de venda automática até ao final do ano.