Macron fala "em crimes contra a humanidade" nos leilões de escravos na Líbia

CNN divulgou imagens de um leilão onde se vendem migrantes africanos na Líbia. França pediu sessão urgente no Conselho de Segurança da ONU e Guterres tinha já admitido que ficou "horrorizado".

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LUSA/PHILIPPE WOJAZER / POOL

A França pediu, nesta quarta-feira, uma sessão urgente do Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre o tráfico humano na Líbia, levantando a possibilidade de serem aplicadas sanções contra aquele país depois de uma investigação da CNN onde se filma um leilão de migrantes africanos. Emmanuel Macron fala de “crimes contra a humanidade”.

Na terça-feira o Conselho de Segurança da ONU aprovou de forma unânime uma resolução apresentada pela Itália – que chegou a acordo com a Líbia para limitar o número de refugiados a chegar às suas fronteiras – que urge por acções mais duras contra o tráfico humano e o esclavagismo moderno em todo o mundo.

O ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Yves Le Drian, explicou nesta quinta-feira aos deputados gauleses que pretende mais e propôs uma sessão urgente do conselho sobre o caso específico da Líbia. “As autoridades líbias, que foram alertadas várias vezes, incluindo por mim próprio porque estive lá em Setembro, decidiram abrir uma investigação sobre estes factos”, disse, citado pela Reuters.

“Nós queremos andar depressa e se o sistema judicial líbio não consegue dar continuidade a este procedimento então nós deveríamos abrir sanções internacionais”, continuou Le Drian.

A questão do tráfico humano e do comércio de escravos na Líbia entrou para a ordem do dia internacional depois da publicação de uma investigação da CNN, onde se divulgam imagens de um aparente leilão onde se vendem homens a compradores libaneses para depois servirem de mão-de-obra na agricultura.

O Presidente francês Emmanuel Macron foi mais longe nas acusações e numa conferência de imprensa conjunta com o presidente da União Africana, Alpha Conde, afirmou que estão a ser cometidos crimes contra a humanidade: “O que foi revelado é, de facto, tráfico de seres humanos; é um crime contra a humanidade”, referiu, citado pela Reuters.

O Presidente gaulês reiterou o pedido para que o Conselho de Segurança da ONU discuta medidas concretas para enfrentar esta situação.

Na segunda-feira o secretário-geral da ONU, António Guterres, tinha já reagido à investigação do canal norte-americano, admitindo que ficou “horrorizado”, revelando que pediu já uma investigação.

“A escravatura não tem lugar no nosso mundo e estas acções estão entre os mais graves abusos dos direitos humanos e podem constituir crimes contra a humanidade”, disse, acrescentando que pediu “aos actores relevantes das Nações Unidas” a condução de uma investigação.

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