Venezuelanos desafiam Maduro e votam em massa contra a constituinte

Oposição assinala o "êxito" da consulta popular sobre a proposta do Presidente.

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Por toda a Venezuela, e em 600 cidades do estrangeiro, centenas de milhares de pessoas responderam este domingo ao desafio lançado pela oposição ao regime do Presidente Nicolás Maduro, e participaram numa consulta popular promovida pela Assembleia Nacional para rejeitar a convocatória de uma assembleia constituinte para mudar a Magna Carta de 1999, que consagrou o projecto socialista bolivariano de Hugo Chávez.

Em Portugal, milhares de imigrantes puderam votar em Albufeira, Aveiro, Braga, Parede, Porto e na Madeira – a elevada afluência obrigou a duplicar o número de mesas de voto disponíveis, e a alargar o horário para que todas as pessoas que esperavam na fila pudessem participar no plesbicito. Pelas 18h, já tinham votado mais de 6000 venezuelanos.

A votação, que o Governo considerou ilegal e que para as autoridades eleitorais é nulo, decorreu sem incidentes: apesar de algumas escaramuças, não se verificaram actos de boicote ou de violência, como chegou a temer-se, quando grupos de apoio ao regime ameaçaram sabotar o processo. “A unidade nacional está por cima de qualquer pretensão totalitária”, sublinhou o presidente da Assembleia Nacional, Julio Borges, que agradeceu os apelos de Maduro para que a consulta decorresse de forma pacífica.

Desde as primeiras horas da manhã, longas filas formaram-se em vários pontos da capital: em muitos pontos de voto, a afluência foi muito superior à das eleições legislativas de 2015, escrevia o jornal El Universal. Centenas de pessoas que esperavam para votar nas imediações da sede do Ministério Público, em Caracas, irromperam em aplausos quando viram a procuradora-geral, Luisa Ortega, que foi saudar os eleitores. A magistrada, uma das figuras do regime chavista, tornou-se uma das principais críticas do Presidente Nicolás Maduro. “Este governo vai cair”, gritaram os eleitores, incluindo em áreas dominadas pelo “oficialismo”, notava o El Nacional.

O líder parlamentar comparou o “êxito” da consulta popular – que estimava, resultaria numa categórica rejeição da reforma constitucional defendida por Nicolás Maduro –  ao exercício de simulacro da votação constituinte levado a cabo pelo Conselho Nacional Eleitoral em simultâneo. “Não obrigamos nenhum venezuelano a votar, este é um dia da liberdade da consciência”, enfatizou Borges, lembrando que há uma semana, o Presidente exigiu que os funcionários públicos e beneficiários das missões sociais participassem no simulacro do CNE.

A consulta popular contou com a supervisão de um grupo de antigos chefes de Estado latino-americanos – Andrés Pastrana, da Colômbia; Jorge Quiroga, da Bolívia, Vicente Fox, do México e Laura Chinchilla, da Costa Rica –, que voaram para Caracas a título de observadores, mas cuja presença foi interpretada como uma manifestação de apoio à iniciativa da oposição. “Estamos aqui para assistir a uma festa eleitoral e uma festa democrática”, afirmou Andrés Pastrana, à BBC Mundo.

Além dos dignitários internacionais, o plesbicito foi monitorizado por um conjunto de reitores de universidades autónomas e privadas do país, “em representação da imparcialidade” do processo, que segundo Julio Borges se desenrolou de forma “absolutamente cristalina”.

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