Lula responde a condenação com anúncio de candidatura à presidência

"Podem ficar a saber que continuo no jogo", garantiu o ex-Presidente brasileiro em São Paulo.

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Manifestação contra a condenação esta quinta-feira em São Paulo Leonardo Benassatto/Reuters
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Lual da SIlva na conferência de imprensa na sede do PT em São Paulo Nacho Doce/Reuters

O ex-Presidente brasileiro, Lula da Silva, falou esta quinta-feira pela primeira vez depois de ter sido condenado a nove anos e seis meses de prisão pelo juiz da operação Lava-Jato e garantiu que quer ser candidato à presidência.

"Há uma tentativa para me retirar do jogo político", afirmou Lula perante um grupo de apoiantes em São Paulo. Há muito que se especulava que o ex-Presidente poderia regressar à política através de uma candidatura às eleições de 2018 para tentar voltar ao Palácio do Planalto. Lula aproveitou a ocasião para confirmar que pretende ser candidato. "Senhores da Casa Grande [moradia dos grandes latifundiários], permitam que alguém da senzala [local das fazendas onde os escravos eram alojados] faça o que vocês não têm competência para fazer neste país", afirmou.

Entre os nomes que se perfilam para as próximas eleições presidenciais, Lula é o que reúne mais apoio popular de acordo com as sondagens. Porém, é ainda incerto se será possível a Lula da Silva apresentar a candidatura. Caso a condenação se mantenha num tribunal de instância superior, o ex-Presidente terá de cumprir a pena de prisão, mas se o recurso não for decidido antes de Outubro de 2018, então a candidatura poderá avançar.

O ex-Presidente brasileiro negou todas as acusações, dizendo que "não há uma única prova contra ele" no processo no âmbito da Operação Lava-Jato, liderada pelo juiz Sergio Moro. "A única prova que existe neste processo é a prova da minha inocência". Lula foi condenado a nove anos e seis meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, tornando-se no primeiro ex-chefe de Estado brasileiro a ser condenado judicialmente.

"Não sou dono de um triplex", continuou Lula, referindo-se ao apartamento de luxo em Guarujá (São Paulo) que a acusação diz que lhe pertence e que está no centro da sentença. "A justiça não pode mentir, não pode tomar decisões políticas, tem de se basear nos autos", acrescentou

A postura de desafio manteve-se ao longo do discurso que fez na sede do Partido dos Trabalhadores, em São Paulo, com Lula a deixar fortes críticas ao juiz Sergio Moro, mas também aos órgãos de comunicação social brasileiros. "O ódio está disseminado por este país, basta assistir ao Jornal Nacional" [noticiário do canal Globo]. No exterior do edifício, um grupo de manifestantes lançava gritos de apoio para o ex-Presidente.

"Quem acha que é o fim do Lula vai quebrar a cara", disse. Pela frente, afirmou o antigo líder sindical, há uma "batalha jurídica e política", que deverá ser iniciada pela apresentação de um recurso junto de um tribunal superior.

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