Kim aproxima-se: míssil norte-coreano já poderia chegar ao Alasca

Os analistas sabem que, mais cedo ou mais tarde, Pyongyang terá a capacidade de bombardear os EUA. O novo ensaio pode ser a prova de que já consegue chegar a território norte-americano.

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Míssil Hwasong-14 a ser preparado para lançamento KCNA/EPA

Foi um míssil balístico intercontinental (ICBM) que a Coreia do Norte lançou? Os Estados Unidos confirmaram que sim, o que eleva mais o nível de preocupação, pois estes mísseis, que têm um alcance de pelo menos 5500 km, são armados com ogivas nucleares. São a arma do pesadelo da Guerra Fria. E, aparentemente, o ensaio norte-coreano correu bem: se em vez de ter sido disparado para cima, numa trajectória muito alta, tivesse sido enviado numa rota normal, na horizontal, poderia ter alcançado todo o estado norte-americano do Alasca.

Quem fez estes cálculos foi David Wright, co-director da Union of Concerned Scientists, no seu blogue. O míssil testado tinha um alcance superior a 930 km e voou durante 37 minutos, de acordo com o Comando do Pacífico dos Estados Unidos, antes de cair no Mar do Japão, e depois de atingir 2800 km de altitude. “Se estes dados estão correctos, este míssil poderia ter um alcance máximo de cerca de 6700 km numa trajectória-padrão”, escreve Wright, num comentário muito citado.

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O míssil terá sido uma versão modificada do Hwasong-12, lançado já num teste a 14 de Maio – a nova versão será o Hwasong-14, embora os observadores da Coreia do Norte não saibam com clareza o que os diferencia. Certo é que os Hwasong têm um alcance muito maior do que os Musudan e, segundo se disse na altura, poderia atingir a base norte-americana nas ilhas de Guam, na zona das ilhas Marianas (Pacífico).

“É bastante grave. A Coreia do Norte parece mesmo ter testado um ICBM. Ainda que este tenha apenas 7000 km de alcance, pode não estar longe um de 10 mil km capaz de atingir Nova Iorque”, disse ao New York Times Jeffrey Lewis, director do programa de Não Proliferação no Leste da Ásia no Instituto Middlebury de Estudos Internacionais (Vermont, EUA) e um dos membros do podcast Arms Control Wonk.

Pyongyang tem capacidade para enriquecer urânio até ao nível necessário para ser usado em armas nucleares e, paralelamente, prossegue um programa de desenvolvimento de misseis balísticos, para desenvolver armas capazes de atingir os EUA, do outro lado do Pacífico.

Para os cientistas de armamento e analistas da Coreia do Norte, não há dúvidas de que o país de Kim Jong-un vai ter um ICBM – só há dúvidas de quando o conseguirá. E também se duvida da progressão da tecnologia de miniaturização das ogivas nucleares, algo separado do desenvolvimento de armas nucleares (houve ensaios de armas nucleares em 2006, 2009, 2013 e duas vezes em 2016).

Mas o progresso vai-se fazendo, em alguns casos a uma velocidade surpreendente. Por exemplo, no teste de 14 de Maio, analisou David Wright, a Coreia do Norte deve ter ganho bastante informação para poder construir um bom veículo de reentrada na atmosfera, algo fundamental para construir um míssil de longo alcance e, logo, um ICBM.  

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