Professores de Português consideram que exame foi "bastante equilibrado"

Para o exame de Português do 12.º ano, que é obrigatório para todos os alunos, estavam inscritos 79.025 estudantes.

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O autor escolhido foi Alberto Caeiro, que já não saía há 10 anos FERNANDO VELUDO / NFACTOS

A Associação Nacional de Professores de Português (Anproport) considera que a prova nacional da disciplina, realizada nesta segunda-feira pelos alunos do 12.º ano, foi “adequada, bastante equilibrada, com perguntas bem formuladas”, indicou ao PÚBLICO a sua presidente, Rosário Andorinha. Também a Associação de Professores de Português (APP), no seu parecer sobre o exame, diz que "a prova se pautou pelo equilíbrio e objectividade".

Segundo Rosário Andorinha, o Grupo III, dedicado à escrita poderia, contudo, ter sido mais adequado ao público-alvo, porque entre os 17 e os 18 anos “não se tem assim tantas memórias”. Neste grupo pedia-se aos alunos que escrevessem um texto sobre a forma como o homem evoca o passado através da memória. A APP, pelo seu lado, considera que este é um "tema abrangente" e que por isso dá "possibilidade ao aluno de apresentar diferentes perspectivas". 

Já a escolha de Alberto Caeiro é entendida por Rosário Andorinha como “normalíssima”, uma vez que este heterónimo de Fernando Pessoa já há bastante tempo que não era testado em exame. A última vez foi em 2007. O poema escolhido (E há poetas que são artistas) “está praticamente em todos os manuais e é trabalhado em sala de aula”, refere.

A APP corrobora e acrescenta que as questões colocadas sobre aquele poema "foram objectivas e não suscitaram interpretações dúbias". 

Num relatório recente, em que se analisou item a item o desempenho dos alunos nos exames entre 2010 e 2016, o Instituto de Avaliação Educativa constatou que “na disciplina de Português, no domínio da Leitura, os resultados são inferiores quando o suporte dos itens que têm como objecto de avaliação a leitura de texto literário é um texto poético ou um excerto de Os Lusíadas”.

Rosário Andorinha nota, contudo, que os alunos com quem falou após a prova desta segunda-feira acharam que esta foi “acessível”.

“Para aqueles que, durante o ano, estudaram bastante, só poderia ter corrido bem”, refere também o aluno da Escola Secundária Carlos Amarante, de Braga, na crónica que escreveu para o PÚBLICO sobre este exames, para o qual estavam inscritos 79.025 alunos.

No que se refere ao Grupo II, de escolha múltipla com base num texto sobre divulgação científica de António Granado e José Vítor Malheiros, a APP considera que as "questões obrigavam a uma leitura atenta", mas que estavam colocadas de forma objectiva, "não devendo haver, da parte dos alunos, hesitação na escolha da alínea correcta".

Nesta segunda-feira realizou-se também o exame de Filosofia do 11.º ano, para o qual estavam inscritos 15.961 alunos. Por coincidência, num dia marcado pelas imagens da tragédia dos incêndios, deste fim-de-semana, em Pedrógão Grande, a primeira pergunta falava sobre incêndios e floresta destruída.

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