Fazenda volta à carga com mais críticas Marcelo

O dirigente do BE acusa o Presidente da República de ter desconsiderado PCP e Bloco na questão da TSU. E fala ainda na “falta de coordenação política” deste Governo.

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Luís Fazenda considera medidas de Costa para a Europa "paliativas" Nuno Ferreira Santos

Já não é a primeira vez que o dirigente do Bloco de Esquerda, Luís Fazenda, critica o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. Depois de ter acusado aquele a quem chamou “o selfie made man” de usar “o cargo para influenciar a governação e para ter uma participação política activa em paralelo com os partidos”, o bloquista vem agora insistir, numa entrevista à Antena 1, que o Presidente se imiscui em assuntos da governação, “não guarda as devidas distâncias” e “desconsiderou PCP e BE” na questão da TSU.

Ainda no final de Janeiro, Luís Fazenda escrevia um artigo de opinião, no site esquerda.net, no qual usava a ironia para descrever Marcelo, “o Presidente das piadas”, que dava “parangonas de pop star”. Mas, nesse texto, deixava alertas: “A questão que se põe é a dos condicionamentos em série a um Governo minoritário que depende de partidos à sua esquerda na Assembleia da República”.

Ora, o também fundador do BE parece continuar inconformado com a actuação de Marcelo e, numa entrevista a Maria Flor Pedroso, na Antena 1, volta à carga, acusando o Presidente de desrespeitar os acordos estabelecidos para a actual solução governativa, nomeadamente em relação à TSU.

“Imaginemos que, de hoje para amanhã, o Presidente da República, este ou outro qualquer, decide a destempo e de outra forma que não aquela que é a vontade expressa de um governo minoritário. Entende que a política deve ser, não aquela que é traçada pelo Governo, mas uma outra que ele entende, no seu conceito, ser mais adequada. Ora isso, não é aceitável”, disse, acrescentando que Marcelo “desconsiderou algum tipo de convergência política que existe entre o Governo e os partidos à sua esquerda”. A este propósito, quando questionado, admitiu que o caso da TSU “foi flagrante”.

Luís Fazenda também afirmou que a crise da TSU demonstrou que este Governo tem falta de coordenação política: “Há um problema de coordenação política no Governo. O Governo deve perceber, na coordenação política sectorial de cada ministério, de cada iniciativa política, aquelas que eventualmente podem conflituar de um modo mais drástico, com os partidos à sua esquerda e ter o necessário diálogo político para evitar situações que possam ser confrontacionais”, disse, defendendo, no entanto, que a polémica em torno da TSU fez acender um semáforo que estava desligado – a luz é agora “verde” para o diálogo político, ilustrou, num momento da entrevista, em que, entre risos, ia explicando a imagem da luz que “continuará acesa”, porque “é mesmo necessário semaforizar o trânsito”.

O antigo líder parlamentar e actual responsável pelo departamento internacional do BE garantiu ainda que se mantém o compromisso do BE para a legislatura, porque ainda há pontos do acordo, firmado com o Governo, para cumprir e questões novas a surgir. “Estamos apostados em que esta maioria parlamentar prossiga. O horizonte dela é duradouro”, sublinhou.

Sobre as medidas que o primeiro-ministro António Costa propõe para a Europa, defende que são “defensáveis, justas, lógicas”, mas são “paliativas”, porque a dívida portuguesa, insiste, é insustentável “neste ritmo, naqueles montantes e nestes juros”.

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