Três pontos para o País de Gales

Galeses bateram a Eslováquia na estreia no Euro 2016, por 2-1, no Grupo B.

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Regis Duvignau/Reuters

Emoção, paixão e coração até ao fim foi o que se viu num jogo de estreantes em que o País de Gales acabou por levar os três pontos com alguma felicidade à mistura, superando uma Eslováquia (2-1) que acusou em demasia o golo de Gareth Bale, demorando uma eternidade a regressar ao jogo. 

No encontro que marcou o arranque do Grupo B, a Eslováquia apostava numa estratégia asfixiante, apoiada na velocidade e na circulação de bola, e surpreendia os galeses, que experimentaram enormes dificuldades nos primeiros instantes, limitando-se a apagar os primeiros focos de incêndio até Bale conseguir - com a conivência do guarda-redes Kozacik - despejar um autêntico balde de água gelada (10') que esvaziou por completo a pressão, quando a Eslováquia ameaçava aumentar o cerco para níveis insuportáveis.

Aliás, o plano eslovaco só não surtiu efeito porque Davies desviou, como que por milagre, nos primeiros minutos, o remate que daria a Hamsik uma merecida vantagem no duelo particular com Bale, incapaz de reagir à perda de bola depois de o excesso de confiança de Ramsey quase matar do coração uma nação inteira que assistia, incrédula, ao segundo erro consecutivo.

E acaba por ser neste quadro de sofrimento auto-infligido que o País de Gales se libertar das grilhetas para assumir na plenitude um jogo de posse, solidário nos momentos de investida do opositor, a cortar todas as linhas de passe dos eslovacos, cuja atracção pelo centro, sempre com Hamsik à procura do isolado Duris, acabou por facilitar a tarefa galesa.

O cenário tornava-se cada vez mais propício às características de Joe Allen, hábil na gestão do ritmo e do tempo, o que permitia o aparecimento de Ramsey em zonas mais adiantadas, com Bale a deambular e a baralhar as marcações que soltavam Jonathan Williams.

Pelo meio, antes de terminar a primeira parte, o árbitro deixa sem punição dois lances para grande penalidade: primeiro com Ashley Williams a tocar a bola com a mão e mais tarde com Skrtel a barrar, à margem das leis, a passagem a Jonathan Williams.

Com o intervalo, a Eslováquia rectificava alguns equívocos e partia de novo em busca do golo que haveria de surgir pouco depois da hora de jogo. Nessa altura, respirava-se melhor, com os eslovacos a aproveitarem os espaços concedidos por um País de Gales disposto a entregar a iniciativa e a convidar o adversário a expor-se, para depois aproveitar as transições e resolver a questão numa passada galopante de Bale.

Falharam, contudo, os cálculos dos britânicos, batidos depois de Mak ter deixado sério aviso num dos raros lances em que a Eslováquia evitou a tentação de investir contra o muro galês. Não sem antes, num belíssimo movimento de Allen, Bale ter proporcionado a Kozacik a possibilidade de se redimir, travando quase em cima da linha o cabeceamento do avançado do Real Madrid.

Faltava pouco para se escrever uma página histórica, com Jan Kozak a lançar Duda, o “herdeiro” de Hamsik, que na primeira intervenção rasgou toda a defesa. Ironicamente, fê-lo pelo centro, onde todos tinham falhado, a passe de Mak, por essa altura o mais perigoso, a par de Hamsik e Weiss. Aos 61', Duda estabelecia um novo recorde, tornando-se o suplente “goleador” mais rápido em fases finais de Europeus, condição que passa a acumular com a do mais jovem eslovaco de sempre a marcar nestas andanças.

Duda devolvia a crença à Eslováquia, mas haveria de ser outro suplente, o galês Robson-Kanu, a decidir a sorte do jogo, marcando o golo da vitória após dança de Ramsey, a criar o desequilíbrio fatal (81'). O mesmo Ramsey que desperdiçaria uma oferta de Bale, em resposta a um cabeceamento fulminante ao poste do também suplente Nemec, a espelhar a tarde infeliz de uma Eslováquia que justificou um desfecho bem diferente.

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