Marcelo oferece a Francisco casulas desenhadas por Siza Vieira

O encontro do Presidente português com o Papa durou meia hora.

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Marcelo ao início da audiência com Francisco AFP/ALESSANDRO BIANCHI
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O Presidente português mostra as casulas ao Papa AFP/ALESSANDRO BIANCHI
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A delegação portuguesa com o Papa no Vaticano AFP/ALESSANDRO BIANCHI
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Faltavam três minutos para as 10h, da manhã desta quinta-feira, quando Marcelo Rebelo de Sousa abriu a porta traseira do potente carro Maserati que o deixou à porta do Palácio Apostólico, numa das extremidades do Pátio de São Dâmaso, no Vaticano.

Francisco, ao contrário do Papa interpretado por Michel Piccoli, no filme de Nani Moretti, não está ali a jogar vólei. Em vez disso, como é regra nestas circunstâncias, está um cortejo de nove 'gentis-homens', leigos que fazem parte do protocolo do Vaticano, vestidos de fraque e com reluzentes medalhas e cordões. À frente, no topo da carpete cerimonial, o arcebispo Georg Gaenswein, prefeito da Casa Pontifícia, é o primeiro a cumprimentar o Presidente. Ao lado, alinhados nos seus uniformes coloridos, desenhados por Miguel Angelo, 12 guardas suíços, o exército do Vaticano, fazem guarda de honra.

Marcelo passa por baixo da varanda Pio IX, onde está hasteada a bandeira portuguesa e dirige-se ao encontro de Francisco, que o recebe com um "bem-vindo".

Enquanto os dois chefes de Estado trocam presentes, um trabalhador recolhe a passadeira que está colada ao chão com fita adesiva.

Marcelo ofereceu ao Papa seis casulas – paramentos ou vestes rituais usadas pelos sacerdotes – uma por cada cor do tempo litúrgico: verde, roxo, azul, vermelho, branco e rosa. As casulas foram desenhadas pelo arquitecto português, comunista, Álvaro Siza Vieira. Marcelo ofereceu ainda a Francisco uma prenda pessoal, uma gravura ou "registo" de Santo António, da sua colecção privada.

Recebeu do Papa a prenda destinada a todos os chefes de Estado, um medalhão com ramos de oliveira entrelaçados, símbolo da paz. Francisco sublinhou, falando em espanhol, a língua franca do encontro, que "a missão de todos os políticos é construir a paz".

Marcelo trouxe ainda dois livros, em português, que correspondem aos dois pontos altos da doutrina de Francisco. A exortação apostólica A alegria do Evangelho e a encíclica Laudato Sii, sobre ecologia.

Depois deste encontro com o Papa, Marcelo Rebelo de Sousa encontrou-se com o secretário de Estado do Vaticano, o equivalente a primeiro-ministro, o cardeal Pietro Parolin.

Depois destas audiências, o Presidente visitou, em passo apressado, a Basílica de São Pedro, apinhada de turistas de todas as nacionalidades, paus de selfie e tablets (contra a recomendação de recato que este local de culto ostenta à entrada). Marcelo ajoelhou-se diante do túmulo de João Paulo II e rezou, durante alguns instantes.

Marcelo viaja esta tarde para Madrid, onde se encontrará com o Rei Filipe VI, que marcou presença na sua tomada de pose. 

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