Papa Francisco homenageia mártires no Uganda

Esta é a segunda de três paragens que o Papa faz na sua visita a África.

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Papa homenageia os mártires no santuário perto de Kampala James Akena/Reuters

O Papa Francisco visitou neste sábado o santuário mais sagrado do Uganda, homenageando os mártires cristãos mortos no século XIX pela sua fé e pela oposição que fizeram a um rei que abusava de jovens rapazes na corte real.

Esta é a segunda de três paragens na sua primeira visita a África como Papa. Perto de Kampala, capital do Uganda, o Papa celebrou uma missa com dezenas de milhares de pessoas que se juntaram em ladeiras lamacentas, que circundam o santuário moderno, feito de ferro e em forma de cone, fazendo lembrar uma cabana da tribo Baganda.     

“Hoje recordamo-nos com gratidão do sacrifício dos mártires ugandeses. Recordamos também os mártires anglicanos, cuja morte por Cristo é um testemunho do ecumenismo de sangue”, disse Francisco, citado pela agência AFP.

Entre 1884 e 1887, foram mortos 25 anglicanos e 22 católicos em perseguições. A maioria foi queimada, devido às ordens do rei Buganda Mwanga II, que em 1984 tomou posse com 16 anos.

O mais famoso dos mártires foi um católico convertido chamado Charles Lwanga, um prefeito na corte do rei que era responsável pelos pajens rapazes e foi morto porque tentou proteger as crianças dos avanços sexuais do rei.

Depois da sua conversão, tentaram espalhar a sua fé a outros grupos. Hoje, o Uganda tem 40% de católicos e 30% de anglicanos. Muitas igrejas dirigem escolas e hospitais em todo o país. “Eles fizeram aquilo em tempos perigosos”, disse o Papa, citado pela Reuters.

Enquanto o Papa caminhava até ao altar por um passadiço no lago, guardado por polícias mergulhadores e por botes, as canções tradicionais que se ouviam e a dança foram substituídas por um coro de igreja. “Não só as suas vidas foram ameaçadas mas também as vidas dos jovens que eles tomavam conta”, disse o Papa.    

Depois de na sexta-feira ter visitado o Quénia, e neste sábado estar no Uganda, o Papa Francisco vai partir no domingo para a República Centro-Africana, a paragem mais perigosa da visita. Durante cerca de três anos, o país viveu um conflito inter-religioso. Milhares de pessoas foram mortas e um em cada cinco cidadãos fugiu dentro do país ou emigrou.

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