A Vida Portuguesa de sempre abre portas num Intendente que se renova

Tiago Machado

É preciso ir atento, quando se atravessa o Largo do Intendente, para reparar na entrada da nova loja de A Vida Portuguesa, a marca criada por Catarina Portas e que já tem lojas no Chiado, em Lisboa, e no Porto. Mas quando olhamos com atenção, vemos que o nome está lá, sobre o portão que dá para o pequeno pátio que conduz até à porta. Não há que enganar: é o pequeno edifício, antigo armazém, e fábrica, da empresa Viúva Lamego, com belíssimos painéis de azulejos como o do chinês de sapatos revirados que segura uma faixa anunciando a histórica fábrica de cerâmica.

No interior, A Vida Portuguesa abre-se a diversas áreas que ainda não explorara: os têxteis, o vestuário, (mais) artigos para casa, as banheiras em ferro fundido esmaltado, os fogões de ferro, e até, para quem quiser, candeeiros de rua e coretos. Catarina Portas contactou novas empresas e marcas portuguesas, da Recor (banheiras) à La Paz (um projecto recente, de roupa para homem), passando pela Topásio (trabalho em prata, de uma marca de prestígio que vem do século XIX). Encontrou projectos como o Green Boots, nascido em 2012, que está a trabalhar com artesãos e a recuperar técnicas que estavam em risco de se perder. E procurou grandes marcas tradicionais, como a Vista Alegre, da qual escolheu alguns dos muitos serviços de louça para apresentar na nova loja.

As peças distribuem-se pelos dois andares da loja, onde há também uma zona com brinquedos para crianças, e um espaço para livraria. À entrada, debaixo de um tecto coberto de andorinhas de louça que esvoaçam sobre as nossas cabeças, há um horto para quem quiser lançar-se na agricultura doméstica.

O desafio é trazer os estrangeiros até ao Intendente, imaginamos - "os estrangeiros e os portugueses", sublinha Catarina Portas, lembrando que, apesar de toda a reabilitação que ali tem acontecido, da visibilidade que o largo conquistou nos últimos tempos, e dos vários projectos que têm vindo a abrir, "o Intendente ainda não é um circuito comercial". Mas Catarina gosta precisamente de apostar em novos sítios, vê-los a transformar-se e a participar nessa transformação.

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