Saudações da Alemanha!
Encontro-me aqui de visita e estou imerso no impressionante mundo tecnológico à parte em que a Europa se transformou.
Nada disto será novidade para quem viaja pelo mundo inteiro, mas estas notas poderão ser interessantes para um americano que não tenha estado recentemente no Velho Continente:
* Na viagem para cá, a Finnair ofereceu Wi-Fi durante o voo. Como? De forma lenta e cara: via satélite.
Se utilizar este serviço, paga por megabyte (como nos telemóveis) e não por tempo (como nos hotéis). Decidi experimentá-lo: cinco dólares por dez megabytes.
E o que recebi eu em troca? Cerca de três e-mails e sete linhas de mensagens instantâneas. Que raio, como é que um pouco de texto pode devorar dez megabytes?!
Desconfiei que algo estava a aspirar os megas às escondidas. Depois de coçar a cabeça a 39 mil pés, ocorreu-me finalmente desligar a função iCloud do meu portátil, que mantém a minha agenda, livro de endereços e outros dados permanentemente sincronizados com a internet. Foi de génio. Era isso mesmo!
Então, por outros cinco dólares, pude conversar por texto durante cerca de uma hora.
* Os americanos gostam de pensar que poupar água e electricidade é uma enorme maçada. Na Europa, porém, é assim mesmo que as coisas são e as pessoas lá sobrevivem.
Os autoclismos têm dois botões: um pequeno e um grande, que se utilizam consoante a descarga necessária.
Nos edifícios públicos e nos hotéis, há sensores de movimento que acendem a luz quando entramos num corredor e a apagam novamente quando saímos.
A maior parte das casas de banho dos hotéis têm dispensadores de champô instalados na parede, para evitar que milhões de garrafinhas de plástico vão parar anualmente aos aterros.
E – isto é o mais controverso de tudo (para os americanos) – é preciso inserir a chave na porta do quarto para se poder acender a luz e o ar condicionado.
Sim, isso significa que, no Verão, o quarto demora uns minutinhos a arrefecer quando regressamos. Mas significa também que não podemos sair por um dia inteiro e deixar as lâmpadas todas acesas e os ares condicionados a funcionar. (E uma boa consequência indirecta é que também sabemos sempre onde está a chave do quarto.)
* Por falar em chaves de quarto: todos os hotéis em que ficámos tinham cartões-chave sem banda magnética, ou seja, basta encostar o cartão a um sensor em vez de o inserir numa ranhura. A beleza deste sistema é que deixa de haver uma banda que pode ser desmagnetizada pelo telemóvel que também temos no bolso.
* Nem vou falar de como o serviço de telemóvel é mais barato aqui, e a cobertura muito superior.
* Num dos hotéis em que ficámos, não havia Wi-Fi nos quartos, só uma ligação com fios, um cabo Ethernet. Como os nossos aposentos eram contíguos, recorremos a um truque sorrateiro que talvez lhe faça jeito um dia: ligámos a Ethernet ao portátil do produtor, no quarto do meio, e ligámos a Internet Sharing.
Trata-se de uma função tanto do Mac OS X como do Windows que transforma qualquer computador num hot spot Wi-Fi. No nosso caso, significou que os portáteis dos quartos ao lado podiam ter acesso à net.
* Não me dei ao trabalho de activar um daqueles planos de roaming internacional para o meu telemóvel, que ficou em modo de avião a semana inteira, com excepção do Wi-Fi. Utilizei serviços como o Google Voice and Messages para enviar e receber mensagens de texto sempre que tinha sinal de ligação à internet.
* Na Alemanha, TSA não significa “Tub Stacking Agency” [agência para o empilhamento de caixas]. Depois de passarmos na máquina de raios-X, colocamos a nossa caixa num tapete inclinado especial. Ela volta a rolar sozinha, como se fosse pela força da gravidade, para a frente da fila, onde o passageiro seguinte a apanha. Ninguém perde tempo a recolher caixas e a arrastá-las de um lado para o outro.
Os pequenos truques para poupar energia, água e tempo que observámos aqui visam combater problemas mundiais. E são algo em que mais instituições americanas talvez devessem pensar.
©2013 The New York Times. Distributed by The New York Times Syndicate.

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