Uma pequena consola quer abrir portas para o grande ecrã

Numa altura em que tablets e telemóveis atraem muitos jogadores, uma consola barata chega com o objectivo de dar aos pequenos criadores de jogos acesso à televisão.

A consola custa 99 dólares Ouya

Nesta quinta-feira, a consola Ouya começa a ser enviada para os primeiros utilizadores – aqueles que contribuíram para que o projecto angariasse 8,6 milhões de dólares (6,7 milhões de euros) e fosse um dos maiores sucessos na história do Kickstarter, o conhecido site de angariação colectiva de fundos.

A Ouya assenta no sistema operativo Android (impulsionado pelo Google, mas que qualquer pessoa ou organização pode usar) e tem o aspecto de um pequeno cubo metalizado, acompanhado por um comando típico de uma consola. O conjunto custa 99 dólares (cerca de 77 euros) e é ao mesmo tempo uma consola para jogar e um sistema para criar jogos.

O aparelho está a ser produzido pela empresa americana homónima, que lhe chama “uma consola aberta”. O objectivo é ser uma plataforma para criadores independentes de jogos chegarem a quem pretende a experiência de jogar na televisão, da mesma forma que plataformas como o Android e o iOS deram aos criadores uma foma relativamente simples de chegar aos utilizadores de telemóveis e tablets.

“Cada vez mais pessoas estão a afastar-se da televisão. Há um grande foco nas plataformas móveis e na Web. É mais fácil desenvolver jogos para essas plataformas do que para a televisão”, explica a fundadora da empresa, Julie Urhman, num vídeo sobre o projecto.

Os criadores poderão descarregar gratuitamente software e documentação para desenvolver jogos para a Ouya e esta foi também concebida para poder ser aberta, e até alterada, por quem quer que tenha o conhecimento necessário.

Contrariamente ao que acontece no sistema de publicação de jogos para as consolas tradicionais, não haverá qualquer controlo de qualidade. Mas um dos requisistos é que todos tenham, pelo menos, uma demonstração grátis. Também será possível distribuir jogos inteiros gratuitamente e cobrar por itens dentro do jogo (à semelhança do que já acontece nos telemóveis e tablets, podem ser novos níveis, armas ou dinheiro virtual, por exemplo). Nos vendas através da plataforma da Ouya, a empresa ficará com uma parte das receitas.

Os primeiros modelos vão ser agora remetidos para aqueles que apoiaram o projecto através do Kickstarter com pelo menos 95 dólares (74 euros) (e foram a larga maioria das 63.416  pessoas que contribuíram para o que no início era uma meta de 950 mil dólares, perto de 741 mil euros). A produção em maior escala deverá estar em andamento a tempo de fazer a Ouya chegar ao mercado em Junho ( já é possível encomendar o aparelho e a empresa envia para qualquer parte do mundo).

Apesar de ter atraído a atenção de utilizadores e dos media, há quem tenha expresso em fóruns online preocupação sobre o leque de jogos disponíveis para a Ouya. Quando lançam uma consola, os principais fabricantes esforçam-se para fazer acompanhar o lançamento de um portefólio de jogos capaz de atrair compradores. Ainda nesta semana, a Sony anunciou que vai financiar alguns produtores independentes de jogos e que vai facilitar o processo de criar títulos para as consolas PlayStation.

Num fórum não oficial dedicado à Ouya estão listadas quase cinco dezenas de jogos – vários dos quais são claramente inspirados em jogos de há duas décadas e estão muito longe dos níveis de produção habituais nos títulos para as consolas da Nintendo, Microsoft ou Sony.

Um dos títulos é "Final Fantasy III", parte de uma muito popular série de videojogos. Foi lançado originalmente em 1990 e, em 2006, foi refeito para uma consola portátil da Nintendo, tendo no ano passado sido disponibilizado para Android.

Entretanto, houve quem achasse uma boa ideia erguer a pequena consola nos ombros de um gigante – estão a ser desenvolvidos emuladores que permitem jogar jogos de antigos sistemas da Nintendo, como as consolas NES (lançada no Japão em 1983 e três anos mais tarde na Europa), SNES (que se estreou em 1990) e Nintendo 64 (1996).

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