UE diz que boicote da Visa e da Mastercard à WikiLeaks não viola regras comunitárias

Assange apelou a que as autoridades europeias revertam a decisão, afirmando que o bloqueio foi imposto pela “ala extremista de direita” do Congresso dos EUA.

Assange está refugiado na embaixada do Equador, em Londres Geoff Caddick/AFP

A Comissão Europeia indeferiu uma queixa sobre o boicote da Visa, Mastercard e de outras empresas de pagamentos à WikiLeaks, considerando que a acção não viola as regras comunitárias antimonopólio.

Bruxelas analisou este caso, que remonta a Dezembro de 2010, após uma denúncia da DataCell, a empresa que geria as doações para o portal fundado pelo australiano Julian Assange.

Em Dezembro de 2010, a Visa e a MasterCard integraram um grupo de empresas norte-americanas de pagamento que decidiram impor um bloqueio financeiro à WikiLeaks, depois de o site ter divulgado cerca de 250 mil documentos classificados do Departamento de Estado norte-americano.
 
Com o bloqueio, o portal perdeu cerca de 95% das suas receitas e anunciou posteriormente que poderia cancelar a sua actividade.
 
Segundo indicou uma fonte citada pela agência espanhola EFE, a Comissão Europeia considerou que “a queixa não merece uma investigação mais aprofundada”, pois “é pouco provável” que tenha existido uma violação das normas europeias contra o abuso de posição dominante.
 
A decisão da Comissão Europeia foi comunicada, via carta, à DataCell, que já apresentou algumas objecções, argumentos que Bruxelas está actualmente a analisar.
 
A avaliação de Bruxelas limitou-se exclusivamente à área da legislação de concorrência, uma vez que a DataCell alegou que as empresas estavam a abusar da sua posição no mercado, de acordo com a mesma fonte.
 
O fundador da WikiLeaks, Julian Assange, já veio instar as autoridades europeias a reverterem a decisão, afirmando que o bloqueio foi imposto pela “ala extremista de direita” do Congresso norte-americano.
 
Assange reagiu via videoconferência a partir da embaixada do Equador, em Londres, onde está refugiado desde Junho, para evitar um processo de extradição para a Suécia, país onde é suspeito de crimes sexuais.

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