Sites sociais afundam em bolsa e fazem lembrar bolha tecnológica

O Facebook é um exemplo de como milhões de utilizadores não têm chegado para convencer os mercados Justin Sullivan/Getty Images/AFP

Os sites sociais têm conquistado muitos milhões de utilizadores, mas não a confiança dos investidores. O Facebook é maior o exemplo de uma empresa cuja valorização tem caído a pique, apesar dos quase mil milhões de utilizadores. Mas outras empresas da Web que entraram em bolsa recentemente também se afundaram.

O Groupon – a empresa americana de cupões de desconto para compras colectivas, que opera em vários países, incluindo Portugal – estreou-se em bolsa em Novembro do ano passado, com cada acção a ser vendida a 20 dólares. Hoje, valem 7,59 dólares.

O Groupon funciona com parceiros locais nos vários países. Oferece, durante períodos limitados (por exemplo, um ou dois dias), descontos em serviços que vão desde cabeleireiros a estadias em hotéis. Os descontos só se tornam efectivos se um número mínimo de pessoas comprar o cupão respectivo. Caso isso não aconteça, nada é cobrado aos utilizadores. O Groupon inspirou uma série de clones e, em Portugal, o conceito está também a ser explorado pelo portal Sapo.

As contas da empresa, contudo, têm gerado preocupações. No primeiro trimestre deste ano, a empresa teve prejuízo: quase 12 milhões de dólares – apesar de tudo, uma melhoria face ao trimestre homólogo (e as receitas subiram 92%). Para além disto, auditorias revelaram erros e obrigaram a várias correcções, num episódio em que a credibilidade da companhia saiu beliscada. A empresa fará a 13 de Agosto a próxima apresentação de resultados.

Também a Zynga – criadora do FarmVille e de dezenas de outros jogos online, muitos dos quais podem ser jogados no Facebook – atravessa um período difícil. As acções estrearam-se em Dezembro nos dez dólares. Desde então, e depois de uma subida entre Fevereiro e Abril, caíram para menos de um terço, estando agora ligeiramente acima dos três dólares.

A empresa anunciou nesta quarta-feira perdas de 108 milhões de dólares (88 milhões de euros) durante o primeiro semestre deste ano. No mesmo semestre do ano passado, tinha tido 18 milhões de lucros. E cortou drasticamente as previsões para os próximos meses.

As descidas das cotações fazem soar ecos da bolha tecnológica americana de finais da década de 1990, uma memória que se tem estado a espalhar pela imprensa americana. Os investidores de risco que entraram no capital destas empresas durante a fase inicial “já saíram e fizeram a sua fortuna”, notou a este respeito o presidente da Euro Pacific Capital, uma empresa de investimentos, citado pela agência Reuters. As perdas, acrescentou Peter Schiff, sobraram para os que “correram a comprar acções nas ofertas públicas de venda”, onde os preços eram "muito elevados".

A queda mais mediatizada tem sido, inevitavelmente, a do Facebook. A rede social entrou em Maio em bolsa, vendendo acções a 38 dólares. Logo no primeiro dia, alguns dos bancos que conduziram a operação tiveram de ajudar a sustentar esse valor, que fechou praticamente inalterado.

Desde então, tem sido um caminho quase sempre no vermelho. Depois da apresentação de resultados desta semana, em que Mark Zuckerberg não foi capaz de convencer que a companhia está no caminho certo para a rentabilização das plataformas móveis, as acções fecharam sexta-feira um pouco abaixo dos 24 dólares. É o ponto mais baixo de sempre e fica 38% abaixo do preço da oferta pública de venda.

Da mesma foram, a americana Pandora Media, que tem um serviço de recomendação social de música, caiu de 16 dólares na estreia em bolsa, em Junho do ano passado, para cerca de dez dólares nesta sexta-feira. A empresa anunciou no mês passado 54,5 milhões de ouvintes activos, mas, em Maio, comunicou 20,2 milhões de dólares em prejuízos trimestrais, um agravamento significativo face aos 6,7 milhões de perdas do trimestre homólogo.

A excepção às cotações no vermelho tem sido o menos conhecido LinkedIn, a rede social vocacionada para contactos profissionais que, em Março deste ano, contava 161 milhões de utilizadores. Ao contrário do Facebook, o site não depende de publicidade (embora tenha anúncios de ofertas de emprego) e oferece contas pagas para quem esteja interessado em funcionalidades adicionais (que podem ser úteis, por exemplo, para empresas que queiram recrutar).


Em Maio do ano passado, o LinkedIn entrou na Bolsa de Nova Iorque com cada acção a valer 45 dólares. No dia seguinte, o preço mais do que duplicou. Agora, cada acção vale um pouco mais de 103 dólares.


Fora do grupo dos que se estrearam em bolsa está o Twitter, que tem mais de 140 milhões de utilizadores activos. E, ao que parece, a estreia não acontecerá em breve. Este mês, o presidente executivo da empresa, Dick Costolo, afirmou não ter pressa para uma oferta pública de venda. "[Estar fora da bolsa] permite-nos pensar no negócio e na maneira como queremos crescer dentro da pequena sala da administração, em vez de sermos impelidos para uma maneira específica de crescer, como [ter resultados] de três em três meses".

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