Sexto despedimento em quatro anos corta 14% dos trabalhadores do Yahoo

O Yahoo apresenta resultados a 17 de Abril Justin Sullivan/Getty Images/AFP

Chegar, ver e cortar parece ser o lema dos directores executivos do Yahoo. A multinacional anunciou o despedimento de dois mil dos 14 mil trabalhadores, naquele que é o sexto despedimento em massa desde 2008, sob a alçada de três CEO diferentes.

O corte, confirmado pelo Yahoo após a notícia ter sido avançada na imprensa durante a tarde, corresponde a 14% da força de trabalho e é o maior de sempre.

Em 2008, a crise financeira aliada à falta de competitividade da empresa obrigou o co-fundador Jerry Yang a tomar as rédeas e a decidir, em Fevereiro, despedir mil funcionários. Em Dezembro, despediu mais 1500 (Yang abandonou recentemente a empresa, após uma passagem por um cargo não executivo no conselho de administração).

Com a medida agora anunciada, o Yahoo espera conseguir uma poupança anual de 285 milhões de euros. O corte não será aplicado simultaneamente: os funcionários dispensados já começaram a ser avisados, mas alguns manter-se-ão em funções até concluírem projectos que têm em mãos. A empresa remeteu mais pormenores sobre os planos de reestruturação para a apresentação de resultados trimestrais, a 17 de Abril.

O despedimento faz parte da estratégia de Scott Thompson, nomeado em Janeiro para o cargo de director executivo, com a missão de tornar a empresa mais rentável.

Em Janeiro, uma semana depois da nomeação, o Yahoo apresentou resultados relativos ao último trimestre do ano passado que indicaram 296 milhões de euros em lucros, menos 5% do que no mesmo período de 2010. Os números revelavam ainda que tinha pedido quota no mercado publicitário (a principal fonte de receita) para rivais como o Google e o Facebook.

Thompson substitui Carol Bartz, que, em menos três anos no cargo, decidiu três vagas de despedimentos: 700 funcionários em Abril de 2009, 600 em Dezembro de 2010 e entre 100 e 150 em Abril do ano passado, segundo contas da AFP.

Ao todo, desde que Jerry Yang decidiu o primeiro corte e incluindo a supressão agora anunciada, foram alvo de despedimentos em massa cerca de 5900 pessoas.

Apesar de apertado no mercado publicitário pela concorrência do Google e do Facebook, os sites e serviços do Yahoo continuam a ser muito populares. Segundo o site de medições Alexa, a versão americana do portal é o quarto site mais visitado no mundo. O Google está em primeiro, seguido do Facebook e do YouTube (este também do Google).

No mês passado, o Yahoo avançou com um processo contra o Facebook por violação de dez patentes, uma estratégia comum entre rivais em alguns sectores tecnológicos, mas causou surpresas ao ser usada pelo portal e chegou a ser descrita como uma demonstração da falta de viabilidade dos negócios do portal. Como habitual nestes casos, o Facebook respondeu com o seu próprio processo por violação de patentes.

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