Violada segurança de 250 mil contas Twitter

Palavras-passe e outros dados privados foram recolhidos durante um ataque confirmado pelos gestores da própria rede social. "Isto não foi um trabalho de amadores", alertam.

Regis Duvignau/Reuters

Depois de dois grandes jornais norte-americanos, chegou a vez de uma rede social. A segurança do Twitter foi violada, poucos dias depois de os jornais The New York Times e Wall Street Journal terem divulgado que houve intrusos nas redes informáticas internas.

A situação que afectou a rede social Twitter, onde os utilizadores partilham mensagens de texto, imagens e vídeos em menos de 140 caracteres, foi confirmada através de um texto assinado pelo director de sistemas de segurança da empresa, Bob Lord.

O mesmo responsável não revela detalhes sobre a origem do ataque, que pôs em causa a privacidade de cerca de 250 mil utilizadores. Mas sublinha que os responsáveis pela quebra de segurança "foram extremamente sofisticados".

"Isto não foi trabalho de amadores, e não acreditamos que seja um incidente isolado", escreveu Bob Lord, no blogue oficial do Twitter. "Acreditamos que outras empresas e organizações foram alvo recentemente de ataques semelhantes", acrescenta.

Aos utilizadores o Twitter recomenda que mudem as senhas de acesso e que desliguem o Java nos browsers, isto é, uma linguagem de programação específica, orientada para objectos, que também é utilizada pelos programas utilizados para navegar na Internet.

O alerta do Twitter foi publicado na sexta-feira à tarde. Nele, Bob Lord descreve como foi detectado a intrusão nos sistemas de segurança: "Nesta semana, detectámos padrões de acesso incomuns que nos levaram a identificar tentativas de acesso não autorizado a dados de contas do Twitter. Descobrimos um ataque em curso e conseguimos travá-lo pouco depois. Porém, a nossa investigação indica que os atacantes terão acedido a informação pessoal protegida – nomes de utilizadores, senhas de acesso, contas de email – de aproximadamente 250 mil utilizadores."

Por precaução, o Twitter decidiu revogar todas as sessões das contas em risco e desactivou as respectivas senhas de acesso. Além disso, garante Bob Lord, os donos desta plataforma de microblogging estão "a ajudar o Governo e as autoridades judiciais federais a encontrar e perseguir estes atacantes, para que a Internet seja mais segura para todos [os utilizadores]".

O mesmo responsável recorda, logo no início desse texto, que isto sucede na mesma semana em que os dois únicos jornais de distribuição nacional nos Estados Unidos, o The New York Times (NYT) e o Wall Street Journal (WSJ), anunciaram que os seus sistemas informáticos foram violados por ataques distintos.

No caso do NYT, os responsáveis do jornal suspeitam que tenham sido alvo de um ataque de hackers chineses. Este terá consistido no acesso indevido aos computadores de 53 funcionários e terá começado após a publicação de uma investigação do jornal sobre a fortuna do primeiro-ministro cessante, Wen Jiabao, e da sua família, em Outubro do ano passado.

Também no Wall Street Journal se atribuiu o ataque a hackers chineses. Num texto publicado a 31 de Janeiro, o WSJ responsabiliza mesmo Pequim por ligações a grupos de hackers cuja missão é espiar jornalistas que seguem a actualidade da China, incluindo os daquele jornal.

O Twitter foi fundado em 2006 por Jack Dorsey. Tinha, em meados de 2012, 500 milhões de utilizadores registados.  Por dia, eram trocadas nessa altura mais de 340 milhões de mensagens (conhecidas como tweets) nesta rede social. A sede da empresa situa-se em São Francisco, na costa oeste dos EUA.
 
 
 

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