Nos dias que correm, parece haver milhões de possibilidades nos tablets/computadores portáteis. Existem os portáteis com teclados que deslizam, com ecrãs que se viram, com articulações que se dobram para trás. Tenho um forte pressentimento de que a maioria destes vai acabar nos caixotes do lixo da História.
Mas um deles apresenta todas as condições para ter sucesso, e não está a receber a atenção que merece: o novo Chromebook do Google.
O conceito do portátil Chromebook anda por aí há vários anos – emprestados a passageiros durante voos da Virgin, protótipos enviados para serem analisados por críticos –, mas a versão de 2012 deverá por fim bater muito certo com muita gente. É simples: é um excelente segundo computador por apenas 250 dólares.
O exterior do portátil é de plástico, mas consegue uma excelente imitação de alumínio prateado polido. Transmite uma sensação muito, muito boa. O logótipo da Samsung é a única coisa que aparece na parte de cima. O Chromebook é muito leve – 900 gramas – e o seu teclado, extremamente simples e bem conseguido, foi cuidadosamente desenhado segundo as linhas do Macbook Air. As teclas são pretas com as letras em branco, e surgem através de buracos no “tabuleiro”. O “trackpad” funciona na perfeição.
Existem entradas HDMI, USB 2.0 e USB 3.0 – infelizmente, situadas na parte de trás – e uma entrada para cartão de memória na parte lateral para transferência de imagens de câmaras. E uma entrada para auscultadores. (Por 330 dólares, consegue-se uma versão que se liga “online” através das redes de telemóveis.) O ecrã de 11,6 polegadas não apresenta muito brilho, o que é positivo, mas parece um pouco antiquado. Tem Bluetooth e Wi-Fi. A Google afirma que a bateria tem uma autonomia de 6 horas e meia, e parece-me que deverá ser efectivamente algures por aí.
Demoramos algum tempo a habituar-nos ao conceito do Chromebook: serve exclusivamente para actividades online. Internet, correio electrónico, YouTube, e aplicações como o Google Drive (processador de texto, folhas de cálculo e “slide show”, todos “online” e grátis). O portátil não tem partes móveis: nada de ventoinhas, nem drive para DVD, nem sequer uma entrada para pen. É silencioso e rápido, desde que não se tente fazer duas coisas ao mesmo tempo (ouvir música e ver um vídeo, por exemplo).
E vem com muito pouca memória: espera-se que mantenhamos os nossos ficheiros “online”. De início, a Google oferece 100 gigabytes de memória durante dois anos; depois, temos que pagar se quisermos mais memória (apesar de podermos guardar o que já utilizámos, sem nos cobrarem por isso).
Esta abordagem permite uma série de vantagens. O portátil liga-se imediatamente. O sistema operativo é automaticamente actualizado mais ou menos de seis em seis semanas. Tem “inacreditáveis níveis” de segurança, segundo declara a Google.
O Google também oferece 12 convites grátis para o Gogo, o serviço que permite acesso a Wi-Fi em viagens de avião, de forma a podermos continuar a trabalhar no ar. Se usarmos o Chrome no nosso computador principal, e entrarmos com a nossa conta Google, os nossos “bookmarks” e ficheiros “online” sincronizam-se em todos os nossos aparelhos.
O Chromebook corre uma coisa a que o Google chama Chrome OS – não é Mac, nem é Windows. Não permite activar software “verdadeiro” como Photoshop, iTunes, Spotify, Skype, e por aí fora. Basicamente, é apenas um browser de Internet, apesar de oferecer contas para ajudar a manter separadas as coisas de cada elemento da família.
Agora, se este portátil custasse 450 dólares (como custava o ultimo Chromebook), pareceria ridiculamente limitado. Faríamos troça do ecrã e da velocidade (tem lá dentro um processador ARM, não um Intel). Riríamos do plástico levezinho.
Mas os 250 dólares alteram tudo. Um preço de 250 dólares significa que não temos que passar horas online a comparar modelos. Um preço de 250 dólares significa metade do preço de um iPad, até menos do que um iPad Mini ou um iPod Touch. E ficamos com um portátil.
(Existe um Chromebook ainda mais barato, da Acer – por 200 dólares –, mas parece que alguns críticos que o analisaram o consideraram um bocadinho rasca.)
Para muitas das coisas que as pessoas fazem actualmente com os seus computadores (e “tablets”), o Chromebook faz imenso sentido. Passa vídeos com Flash. Abre documentos do Office. Por outras palavras, a Google está certa quando afirma que o Chromebook é perfeito para escolas, como segundo computador em casas, ou em empresas que utilizam centenas de máquinas.
É também um computador perfeito para os tecnofóbicos. É muito difícil alguém se perder num sistema operativo que basicamente não tem programas.
O Google tem percorrido um caminho longo e lento até chegar a este ponto, mas depois de anos de cuidadosas alterações e melhoramentos – e um impressionante preço de 250 dólares –, o Chromebook parece estar finalmente preparado para receber as luzes da ribalta.
Tradução: Eurico Monchique
©2012 The New York Times. Distributed by The New York Times Syndicate.

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