Numa visita à Coreia do Norte, o presidente executivo da Google, Eric Schmidt, alertou o país para a necessidade de uma maior abertura no acesso à Internet, de forma a diminuir o isolamento e o declínio económico em relação ao resto do mundo.
A visita tinha como objectivo pressionar a Coreia do Norte a abandonar as suas políticas nucleares e de armamento, mas o acesso à Internet – ou a falta dele – foi um dos temas que mais indignaram Eric Schmidt e o antigo governador do Novo México Bill Richardson, que o acompanhou.
“Enquanto o mundo se torna crescentemente interligado, a decisão [da Coreia do Norte] de se manter virtualmente isolada vai afectar fortemente o seu mundo físico e o seu crescimento económico, dificultando a sua recuperação económica”, disse Schmidt, citado pela BBC, no aeroporto de Pequim, na China, esta quinta-feira, à chegada da visita de quatro dias a Pyongyang, capital da Coreia do Norte.
Ao jornal britânico The Guardian, o presidente executivo da Google disse que o Governo norte-coreano “tem de tornar possível que as pessoas utilizem a Internet, o que ainda não fez”. “É a opção deles agora e, na minha opinião, já é tempo para começarem ou ficarão para trás”, acrescentou.
Na Coreia do Norte vivem cerca de 24 milhões de pessoas, mas o acesso à Internet está reservado a uma pequena elite – sendo, muitas vezes, monitorizado –, pois existe apenas uma rede de Internet interna (intranet), sem ligações ao resto do mundo. Os cerca de 1,5 milhões de telemóveis pertencem a políticos, militares e empresários.
“A Internet é importante para o bem-estar da população da Coreia do Norte, para expandir a tecnologia e o uso de telemóveis”, disse, por seu lado, Richardson ao mesmo jornal.
Embora Schmidt não tenha divulgado o verdadeiro motivo da sua visita àquele país, alguns analistas sugeriram que, mais do que uma campanha de “educação para a tecnologia”, a sua ida pode ter estado relacionada com uma expansão de negócio. Um aumento do tráfego de Internet pode gerar mais oportunidades de venda de publicidade digital, que representa actualmente uma fatia de 50 mil milhões de dólares (cerca de 38 milhões de euros) de lucros anuais para a empresa norte-americana.
O responsável pelo blogue Korea Tech blog, Martyn Williams, disse ao Guardian que, a serem alcançados, os resultados desta visita serão feitos num ritmo de "passos de bebé", podendo passar por um “acordo para instalar computadores modernos nas universidades”. “A Google está um pouco limitada em relação ao que pode fazer enquanto empresa americana de tecnologia avançada. Até a Google fazer negócio lá, acredito que terá um longo caminho pela frente”, acrescentou.

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