Passos Coelho pôs as redes sociais a ferver

Parte do país correu para a Internet após o anúncio de Passos Coelho Foto: Miguel Madeira

Na sexta-feira, quando Passos Coelho anunciou as novas medidas de austeridade, o número total de tweets superou a média diária. Foram 31.400 as mensagens partilhadas no Twitter por utilizadores portugueses. Durante o fim-de-semana a discussão manteve-se.

Entre o total de tweets partilhados na sexta-feira, 567 mensagens referiram directamente o primeiro-ministro, fora as que discutiram o assunto sem menção a Passos Coelho. Olhando com detalhe para o número de tweets partilhados ao longo do dia, percebe-se que o pico ocorreu entre as 22h e as 23h (111 mensagens) – já passavam mais de duas horas depois da transmissão da mensagem. As contas começavam a ser feitas e discutia-se na “twittosfera” o impacto das medidas anunciadas.

Durante os 15 minutos do anúncio, as mensagens espalharam-se. Em duas horas (entre as 18h e as 20h), foram 118 as mensagens com menções directas a Passos Coelho. Foi a partir do meio-dia de sexta-feira que o fluxo de tweets com menções ao primeiro-ministro e à austeridade aumentou.

Já no sábado, a discussão manteve-se activa ao longo de todo o dia, com um total de 24.060 tweets recolhidos, dos quais 646 mencionavam Passos Coelho, com picos registados às 13h e às 23h. Neste domingo, a mensagem que o primeiro-ministro publicou no Facebook, assim como os comentários deixados na sua página, têm sido alvo de vários tweets: 479 mensagens até às 17h, de acordo com os dados do TwitterEcho, uma plataforma de recolha e análise de dados do Twitter.

“O TwitterEcho foi configurado para efectuar uma recolha de tweets focada em utilizadores portugueses”, explica Eduarda Mendes Rodrigues, investigadora e professora auxiliar do departamento de Engenharia Informática da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP). “A identificação da comunidade portuguesa no Twitter é feita de forma automática através de técnicas de detecção de linguagem e de análise do perfil dos utilizadores e da respectiva rede social”.

Por dia, a plataforma recolhe uma média de 30 mil novos tweets e monitoriza 100833 utilizadores portugueses, valores que não representam, no entanto, a totalidade exacta da “twittosfera” portuguesa. A recolha dos tweets é feita ao minuto, ficando registada, o que permite depois fazer uma comparação do fluxo de mensagens partilhadas na rede social em vários intervalos de tempo e com base em termos de pesquisa e diferentes hashtags – palavras-chave que identificam temas, por exemplo. A plataforma permite ainda saber quais os utilizadores portugueses mais activos do Twitter.

Esta ferramenta foi já utilizada para contabilizar os tweets partilhados durante a campanha das eleições legislativas de 2011 (Twitómetro - http://legislativas.sapo.pt/2011/twitometro/) e, mais recentemente, durante o Euro 2012 (Twitteuro – http://twitteuro.sapo.pt/).

O TwitterEcho resulta da colaboração das equipas da Universidade Técnica de Lisboa (INESC-ID), da Universidade do Porto (FEUP e LIACC), do Centro de Investigação Media e Jornalismo (CIMJ), dos Labs Sapo (UP e Picoas) e do PÚBLICO, no âmbito do projecto de investigação REACTION, em jornalismo computacional, apoiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), ao abrigo do programa UTAustin-Portugal.

Facebook: um mural do protesto político

A maior rede social do planeta, o Facebook, também continua a fervilhar por causa do novo pacote de austeridade que o primeiro-ministro anunciou na sexta-feira, e cujos efeitos se prometem eternizar.

Ainda antes de surgir o anúncio, muitos utilizadores despejaram a sua ansiedade e angústia no mural de Pedro Passos Coelho, uma iniciativa que se intensificou após o anúncio. Milhares de pessoas deixaram lá escritas as suas razões, e as redes sociais acabaram por ser o primeiro barómetro público do estado de alma com que uma parte do país recebeu a comunicação do Governo.

Vinte e quatro horas depois, o próprio Passos Coelho – que não publicava nada no Facebook desde finais de Junho – foi à página nesta rede social deixar uma mensagem aos portugueses, querendo fazê-lo como cidadão e não como primeiro-ministro. A reacção dos utilizadores portugueses não deixou dúvidas: em 16 horas, mais de 15 mil comentários (à hora da publicação desta notícia eram 15.964), a esmagadora maioria com reacções muito negativas para o líder do executivo de coligação PSD-CDS.

Comentários

Os comentários a este artigo estão fechados. Saiba porquê.

Nos Blogues