Bem, se ainda não tínhamos percebido, percebemos agora: o Google mo deu, o Google mo tirou.
No dia 1 de Julho, o Google vai tirar-nos o Google Reader. Para consternação de milhões, este serviço seguirá os passos do Google Answers, Google Buzz, iGoogle e GOOG-411. Não se pode dizer que a empresa tenha dado uma razão satisfatória para esta “limpeza de Primavera”, limitando-se a dizer que “a utilização decresceu”.
Este artigo destina-se a ajudar dois tipos de pessoas: as que utilizavam o Google Reader e aquelas que nunca souberam do que se trata.
O Google Reader é aquilo a que se chama, de forma algo geeky, um leitor de notícias – ou, de forma dolorosamente geeky, um agregador de RSS.
É como um jornal online que nós próprios construímos a partir de páginas da Internet do mundo inteiro. Em vez de nos sentarmos à secretária todas as manhãs e visitarmos, um a um, os nossos sites preferidos – por exemplo, o NYtimes.com, o Reddit.com e o HuffingtonPost.com –, basta abrir o reader.google.com. Aqui se encontra uma lista ordenada de todos os artigos noticiosos de todas essas fontes, organizada como uma caixa de entrada do correio electrónico. Escolhem-se os títulos, lêem-se os resumos e clica-se nos artigos que parecem valer a pena ler.
Por vezes, pode ler-se o artigo todo sem sair da página do leitor de notícias – isso fica ao critério de quem o publicou. Mas o normal é vermos o título de cada peça e uma breve descrição do seu conteúdo, ou talvez os primeiros parágrafos e uma foto.
Um clique leva-nos ao site de origem. É tudo muito mais rápido e eficiente do que abrir caminho por entre os anúncios, os banners e os artigos menos interessantes nos próprios sites.
Houve um enorme clamor quando a Google anunciou a morte iminente do Reader – petições, blogues e o diabo a sete –, mas é possível que alguns não tenham percebido imediatamente porquê. O Google Reader é manifestamente feio. E é bastante complicado e atravancado.
Contudo, é completo, personalizável e prático. E, desde que se tenham configurado, as nossas fontes de leitura favoritas aparecem da mesma forma em qualquer computador, tablet e telefone. As massas podem não ter utilizado o Reader ou ouvido falar nele, mas os devotos da informação, os jornalistas sempre em cima do acontecimento e os seguidores da tecnologia adoravam-no.
Mas não precisam de chorar por ele. O Google Reader tem muitos rivais e substitutos razoáveis. Na verdade, eu tencionava fazer uma pequena recensão de cada um deles, mas dei-me conta de que nem daqui a seis mandatos presidenciais conseguiria dar a tarefa por concluída.
Há leitores de notícias disponíveis para todos os tipos de telefones, tablets e computadores: Bloglines, NewsBlur, Pulse, Taptu, Reeder, FeedDemon, Spundge, Good Noows, HiveMined, Prismatic, Netvibes, NetNewsWire, ManagingNews, etc. Alguns são páginas de Internet como o Google Reader, outros são programas ou aplicações autónomos. Alguns programas de correio electrónico também podem assinar estes feeds, colocando-os directamente na nossa caixa de entrada.
Aquele que toda a gente diz que é o herdeiro natural do Google Reader é, no entanto, o Feedly.com. Efectivamente, o Feedly diz que as fileiras dos seus quatro milhões de utilizadores engrossaram para sete milhões desde que a sentença de morte do Reader foi pronunciada.
O Feedly requer um plug-in gratuito para os browsers Firefox, Chrome e Safari, e a sua utilidade assenta particularmente em três factores.
Em primeiro lugar, o mais importante: basta ligarmo-nos ao Feedly com o nosso nome de utilizador e palavra-passe do Google para recriarmos imediatamente a nossa configuração do Google Reader. Todas as nossas fontes de notícias, favoritos e etiquetas – nomes de categorias que podemos aplicar a certos artigos, para mais facilmente os localizarmos depois – aparecem como que por magia no Feedly, prontos a usar. A sincronização é bidireccional: até 1 de Julho, podemos alternar livremente entre o Reader e o Feedly, e os dois mundos terão uma aparência idêntica.
(Nos bastidores, o Feedly baseia-se, quer acreditem quer não, nos feeds do Google Reader, mas a empresa diz que ele substituirá irrepreensivelmente estes feeds por uma fonte própria até 1 de Julho.)
Segundo, o Feedly é muito mais bonito que o Google Reader. Tem uma melhor tipografia – o Google nem se preocupou com isso –, o layout é mais atractivo e oferece mais visualizações das suas notícias.
Por exemplo, o Feedly pode apresentar os seus feeds exactamente como o Google, numa lista só de texto; clique num item da lista para o expandir e ler ali mesmo. Mas também pode apresentar os seus artigos de formas muito mais visuais. Há a visualização Revista (uma lista de sinopses, cada uma com uma pequena fotografia ao lado), a Cartas (foto e sinopse aparecem no que se assemelha a cartas de jogar que preenchem o ecrã) e a vista Artigos Completos (não é preciso clicar para expandir: cada bloco exibe o que estiver disponível do artigo).
Os ex-utilizadores do Google podem começar com a lista só de texto (vista Títulos), porque é a isso que estão habituados, mas talvez acabem por ganhar coragem para experimentar uma das visualizações mais visuais e interessantes.
Em terceiro lugar, o Feedly disponibiliza formas de assinatura fantásticas.
Forma n.º 1: Enquanto navega, sempre que encontra um site que lhe parece interessante, clique no pequeno botão transparente Feedly que aparece no canto inferior direito do seu pesquisador – pelo menos, se utilizar o Chrome ou o Firefox. O Feedly diz que está a tratar de colocar o seu botãozinho no Safari.
Forma n.º 2: Na página do Feedly, clica-se no ícone da lupa para ver um índice seleccionado – uma lista de sites que vale a pena assinar em categorias como Tecnologia, Negócios, Notícias, Culinária, YouTube, etc. Clique no que lhe parecer bom.
Formas n.ºs 3, 4 e 5: Clique no mesmo ícone e digite, na caixa do topo, um endereço, o nome de um site ou até um tema. Depois escolha de entre os resultados que o Feedly apresenta.
Tal como o Reader, o Feedly oferece todo o tipo de maneiras de gerirmos as assinaturas. Podemos atribuir-lhes etiquetas, arrumá-las em pastas por categorias ou clicar num botão Guardar que assinala um artigo a que queremos voltar mais tarde.
Se estivermos a ler uma peça que nos agrade particularmente, uma fila arrumadinha de botões deixa-nos transmitir o link que descobrimos ao Twitter, Facebook, Google Plus e LinkedIn ou enviá-lo por mail. Infelizmente, o Feedly não nos deixa adicionar também feeds do Twitter e do Facebook ao nosso fluxo de notícias.
É tudo bastante simpático, especialmente se considerarmos as fluidas, atractivas e gratuitas aplicações do Feedly para iPhone, iPad e Android. Francamente, para a maior parte das pessoas, o Feedly é melhor que o Google Reader.
No entanto, ele sabe que não é perfeito. Por exemplo, só se pode apor uma etiqueta a cada item (por exemplo, “Tecnologia”) e não várias (“Tecnologia” e “Ridículo”). E nunca vai conseguir descobrir a maneira de remover uma etiqueta da sua lista – terá de ir às Preferências –, porque o Feedly não oferece os habituais menus de atalho que encontramos no Google Reader, onde se pode fazer clique com o botão direito em qualquer sítio e aparece uma lista de opções como Apagar e Mudar o nome.
A barra de controlo que disponibiliza as diversas vistas, como Revista e Cartas, também nem sempre aparece.
E só se pode registar no Feedly com uma conta do Google existente.
Por fim – e este é o seu principal defeito –, o Feedly não funciona no Internet Explorer, o que exclui muitos clientes potenciais. E nos browsers em que funciona é preciso instalar um minúsculo "bookmarklet" (um plug-in), o que vai contra as regras de alguns computadores públicos e de empresas.
O Feedly está a trabalhar febrilmente para resolver estas limitações, levando muito a sério o papel de sucessor do Reader. Com efeito, algumas das melhores funcionalidades foram adicionadas muito recentemente, numa tentativa de acolher os refugiados do Reader. (Se é um deles, eis as dicas do Feedly para uma transição sem dor: http://j.mp/10mkEb7.)
Mas, entretanto, não deixa de ser um serviço fantástico e fácil de utilizar para dois grupos de pessoas: as que já utilizaram o Google Reader e as que nunca ouviram falar dele. Porque se continua a começar os seus dias com um ziguezague por um determinado conjunto de sites, está a desperdiçar tempo e energia. O Feedly é aquilo de que precisa.
Tradução: Maria Eugénia Colaço
©2013 The New York Times. Distributed by The New York Times Syndicate.

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