Muitos adolescentes vêem Facebook como uma "obrigação"

Estudo nos EUA confirma o que a rede social já tinha admitido: os mais novos estão a socializar noutros site. Em parte, porque o Facebook está cheio de adultos.

Os adolescentes dizem não ter problemas em definir a privacidade dos perfis Leon Neal/AFP

A ideia tem surgido nos últimos meses: os utilizadores mais novos, particularmente os adolescentes, estão a ficar cansados do Facebook. A própria empresa já admitiu que estes estão a usar serviços concorrentes. Um estudo nos EUA vem agora indicar que, naquele país, pelo menos, os adolescentes continuam no Facebook, e estão a partilhar mais informação, mas o entusiasmo pela plataforma está a cair e muitos usam-na com um sentimento de obrigação.

O estudo foi elaborado pelo Pew Research Center e por investigadores da Universidade de Harvard, com base numa amostra de 802 jovens. Os investigadores afirmam ter notado um “sentimento de fardo social” associado ao Facebook. “Embora o Facebook ainda esteja profundamente integrado na vida quotidiana dos adolescentes, é às vezes visto como algo utilitário e como uma obrigação, em vez de uma plataforma nova e entusiasmante”.

A investigação tem como base questionários telefónicos e entrevistas presenciais a utilizadores de redes sociais. As entrevistas telefónicas foram feitas em 2012 a adolescentes entre os 12 e os 17 anos. Já as entrevistas presenciais, de onde foi retirada a conclusão de que há adolescentes a ficarem cansados do Facebook, decorreram em 2013 e foram feitas a jovens entre os 11 e os 19 anos.

O estudo cita várias razões para os sentimentos negativos em relação ao Facebook, entre os quais a presença de adultos. “Simplesmente ter uma conta num site social não reflecte necessariamente um gosto pelo site. No Facebook em particular, enquanto alguns participantes dos grupos entrevistados gostavam de o usar, muitos mais associaram-no a constrangimentos pelo aumento da presença de adultos, a grandes pressões (...) ou a sentirem-se sobrecarregados pelos outros que partilham demasiado”.

O documento aponta alguns exemplos de testemunhos dos adolescentes. “Sim é por isso que vamos ao Twitter e ao Instagram [em vez de ao Facebook]. A minha mãe não tem [conta naqueles serviços]”, afirmou uma rapariga de 19 anos. “Se estás no Facebook, vês imenso drama”, observou outra adolescente, de 15 anos. Um rapaz de 18 anos disse que o Facebook “é onde as pessoas publicam fotografias desnecessárias e dizem coisas desnecessárias”. 

Este ano, a empresa admitiu no relatório de apresentação de resultados relativos a 2012 que os utilizadores mais jovens estão a usar serviços alternativos na Internet, mas nomeou apenas o Instagram, que foi comprado no ano passado pelo Facebook. Já o estudo indica um aumento significativo do uso do Twitter, que é usado por 24% dos adolescentes que estão online (eram 16% em 2011).

Uma das conclusões refere que os adolescentes estão cientes da importância das reputações online e activamente moldam a sua presença online. Os “gostos” conferem estatuto social, “de tal forma que os utilizadores adolescentes do Facebook manipulam o conteúdo do perfil e da cronologia para arrecadar o máximo número de ‘gostos’, e removem fotografias com poucos ‘gostos’”. Alguns disseram manter duas contas separadas, uma para amigos, outra para família.

O Pew Research Center já tinha estudado em 2006 o comportamento dos adolescentes nestes sites. Face a esse ano, os jovestão agora a partilhar mais informação: 91% publicam fotografias de si próprios (contra 79% em 2006), 71% indicam o local de residência (eram 61%) e 20% partilham o número de telemóvel (2% na medição anterior). Os mais novos tendem a ter uma rede de “amigos” mais pequena e a partilhar menos informação. 

A grande maioria diz não ter problemas em controlar as definições de privacidade no Facebook e 60% disseram que o respectivo perfil só está visível para a sua própria rede de contactos.

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