Desde 14 de Novembro, altura em que Israel lançou a Operação Pilar de Defesa, já foram levadas a cabo pelo grupo Anonymous e por outros activistas mais de 60 milhões de tentativas de “hacking” em sites do Governo israelita.
O aviso foi feito por fontes governamentais, tendo o ministro das Finanças israelita, Yuval Steinitz, afirmado à agência Reuters que apenas uma dessas tentativas tinha sido bem-sucedida. Steinitz não quis revelar o nome do site afectado.
Por dia, Israel enfrenta geralmente centenas de atacas informáticos, mas nunca na escala desta recente torrente de ataques.
A companhia de segurança Radware, com base em Telavive, disse que os alvos dos ataques incluíram as Forças de Defesa Israelitas, o gabinete do primeiro-ministro, bancos israelitas, companhias aéreas e sites de negócios.
Steinitz, que deu instruções ao seu ministério para operar em modo de emergência e declarou que o esforço dos hackers para afectar os sites israelitas falhou. “Estamos a colher os frutos dos investimentos feitos nos últimos anos no desenvolvimento de sistemas de defesa informatizados”, disse.
O jornal israelita Haaretz escreveu que, na sexta-feira, o movimento Anonymous anunciou que tinha atacado e colocado fora de serviço 550 sites diferentes, incluindo a página do Ministério dos Negócios Estrangeiros israelita e do partido Kadima. Os hackers anunciaram também o ataque e a eliminação da base de dados do site do Banco de Jerusalém. No sábado de manhã o site estava a funcionar, como deu conta o Haaretz. Quem tentar aceder ao site do Kadima era redireccionado para a página de Facebook do partido.
“Por demasiado tempo, os Anonymous assistiram juntamente com o resto do mundo, ao tratamento bárbaro, brutal e desprezível do povo palestiniano nos chamados ‘Territórios Ocupados’ pelas Forças de Defesa Israelitas. Mas quando o Governo de Israel ameaçou publicamente cortar o acesso à Internet e outras telecomunicações de e para Gaza, passou das marcas”, escreveu o grupo num comunicado.
O comunicado continua em tom de aviso: “O antigo ditador do Egipto, Mubarack, aprendeu da pior forma que nós somos os Anonymous e ninguém encerra a Internet enquanto estivermos a vigiar. Só vamos avisar as Forças de Defesa Israelitas e o Governo de Israel uma vez”.
“Israel tem o sistema Iron Dome (para interceptar rockets), mas precisa de um cyberdome”, disse Erel Margalit, presidente da Jerusalem Venture Partners, uma empresa de capital de risco que tem investido na cibersegurança em Israel.
Especialistas em cibersegurança têm afirmado que os ataques de hackers são um novo aspecto das guerras modernas, defendendo a necessidade de os Estados investirem no fortalecimento das suas defesas virtuais. No mês passado, secretário da Defesa norte-americano, Leon Panetta, disse que o ciberespaço é o campo de batalha do futuro.
A guerra entre o Exército israelita e as Brigadas Ezzedin al-Qassam, braço armado do Hamas, tem-se travado também nas redes sociais, estando as Forças de Defesa Israelitas presentes em quase todas as plataformas e os palestinianos muito activos no Twitter.
Na segunda-feira, Israel tinha reportado três mortos resultantes do fogo de rockets. Segundo médicos de Gaza, na terça-feira, a operação militar israelita já tinha provocado a morte a 109 palestinianos e causado cerca de 900 feridos.

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