Já activo no Twitter, no Google+ e no Instagram (site de partilha de fotos), o ayatollah Ali Khamenei, Supremo Líder do Irão, tem agora também uma página de Facebook – a rede social que as autoridades da República Islâmica frequentemente bloqueiam e renegavam como “instrumento sionista” contra o regime que destronou a monarquia Pahlavi.
No site Persian Letters, associado à Rádio Europa Livre, a jornalista Golnaz Esfandiari especifica que a página foi lançada no dia 13, e publicitada na conta Twitter do Vali-ye faqih (guia espiritual e temporal). Até domingo mais de 4200 pessoas pressionaram o botão “gosto”.
A estreia na rede social criada pelo judeu Marck Zuckerberg é, segundo Esfandiari, a mais recente iniciativa de uma equipa de peritos em Internet ao serviço de Khamenei, de modo a que ele possa “exprimir no ciberespaço as suas ideias e personalidade”. A mesma equipa é responsável pelo “sofisticado website” do homem mais poderoso do Irão que está disponível em 13 línguas.
Num país onde os jovens activistas pró-democracia têm de usar os mais diversos servidores e filtros para escaparem às perseguições (o blogger Sattar Beheshti morreu o mês passado na prisão), Khamenei usa agora as mesmas ferramentas para expandir o seu apoio, interno e externo. Comentou o repórter iraniano Hadi Nili, citado por Esfandiari: “A página de Facebook e a conta de Twitter [de Khamenei] foram lançadas, tal como o canal inglês por cabo Press TV e outras estações nas línguas espanhola e árabe, porque são baratos e fáceis de usar.” No entanto, acredita Nill, o sucessor do ayatollah Khomeini “deverá atrair mais visitantes estrangeiros do que iranianos”, porque estes utilizadores aproveitam todas as oportunidades para promover o Movimento Verde (na oposição) e o apoio aos prisioneiros políticos.
Durante a repressão dos protestos contra a reeleição do Presidente, Mahmoud Ahmadinejad, em 2009, o Facebook foi um dos meios mais usados para difundir vídeos amadores do YouTube documentando a brutalidade das forças de segurança, em particular da milícia popular Bassij e dos seus tutores, os Guardas da Revolução. Abdolsamad Khoramabadi, que dirige o organismo governamental responsável pela censura e pelos “delitos informáticos”, deixou bem claro que será punida como “crime” qualquer colocação no Facebook de “material imoral ou violação dos princípios islâmicos sagrados”.
Entre os comentários em que Golnaz Esfandiari traduziu em https://www.facebook.com/www.Khamenei.ir, há palavras de encorajamento e outras de sarcasmo. Houve quem perguntasse: “Podemos insultá-lo aqui?”, e quem acusasse: “O senhor tem feito um bom trabalho a propagar corrupção, prostituição e mentiras.” A jornalista de Persian Letters interroga-se sobre se os administradores da página permitirão, no futuro, esta liberdade de expressão.

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