Chegaram ao ministério público francês os primeiros casos de cibernautas que ignoraram os sucessivos avisos enviados ao abrigo da lei antipirataria Hadopi.
A Hadopi prevê um sistema de avisos consecutivos antes do recurso à justiça. Estes avisos são enviados mediante queixas de detentores de direitos de autor.
Em finais de 2010, 822.014 utilizadores receberam, por email, o primeiro aviso. Destes, 68.343 receberam, cerca de seis meses depois, o segundo aviso, simultaneamente por email e por correio registado. Nestes casos, os visados (que são os detentores de um contrato de acesso à Internet) são alertados para o facto de terem sido detectados usos que podem ser ilegítimos e são aconselhados (a Hadopi chama a estas mensagens "recomendações") a vigiar o uso da ligação que têm.
Apenas 165 reincidentes receberam o terceiro aviso da Hadopi, que é uma notificação por correio registado e que dá conta de que a prática é passível de procedimentos judiciais. Não foram divulgados quantos destes 165 casos acabaram por ser encaminhados para a justiça.
Os cibernautas dos casos agora enviados aos tribunais arriscam uma condenação que pode chegar aos 1500 euros de coima e a um mês de suspensão do acesso à Internet.
De acordo com um estudo da Nielsen encomendado pela IFPI (que representa a indústria da música à escala global) e divulgado em Janeiro, o recurso a redes para a partilha não autorizada de ficheiros caiu 26 por cento em França desde que os primeiros avisos da Hadopi foram enviados.
A Hadopi, apoiada pelo Presidente francês Nicolas Sarkozy, teve um agitado processo de aprovação e alguns pontos controversos da lei (que previa a suspensão do acesso à Internet sem recurso à justiça) acabaram por ser retirados. O sistema de avisos francês tem sido apresentado pelos representantes das indústrias de conteúdos em vários países (incluindo Portugal) como uma solução desejável para o combate à partilha não autorizada de ficheiros.

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