O Governo francês decidiu prolongar até ao fim de Janeiro o prazo para o Google e a imprensa chegarem a um acordo, antes de intervir com medidas que poderão passar por legislação para obrigar o motor de busca a pagar aos órgãos de comunicação, noticiou a agência Reuters.
Como em muitos países, também os media franceses defendem que a multinacional americana deve pagar pelos excertos de conteúdos jornalísticos que mostra nos resultados das pesquisas (onde a empresa faz dinheiro com anúncios) e no agregador Google News (que não é rentabilizado directamente). Em França, o Governo tem adoptado uma postura favorável aos media e chegou a ponderar um imposto específico sobre receitas publicitárias online, com o objectivo de chegar sobretudo aos gigantes de Internet.
O Google já afirmou que não pode pagar para indexar os artigos, ameaçando deixar de os listar caso seja obrigado a fazê-lo.
No final de Outubro, o presidente do Google, Eric Schmidt, esteve reunido com o Presidente francês, François Hollande. Este deu então até ao fim do ano para que a empresa e os media chegassem a um acordo, afirmando que, se isso não acontecesse, ponderaria avançar com uma lei (semelhante à que está em debate na Alemanha) para permitir aos media cobrarem pela utilização de excertos de artigos.
Até agora, o Google nunca pagou para mostrar conteúdos nas páginas dos seus serviços. Este mês, o Google e a imprensa belga puseram fim a uma disputa legal que durava há seis anos. Na essência, as duas partes acordaram que o Google não pagará pela utilização dos excertos – algo que a empresa fez questão de sublinhar –, mas que fará anúncios nos sites dos media e trabalhará em conjunto com eles para a utilização de serviços que permitam ajudar a imprensa a rentabilizar os conteúdos.
A multinacional também não cedeu quando os principais jornais brasileiros decidiram sair em bloco do Google News.

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