As assinaturas digitais levaram, pela primeira vez na última década, a uma subida nas receitas de circulação dos jornais diários americanos. Mas as edições impressas continuam em queda e, feitas as contas a todo o negócio, os jornais estão a fazer menos dinheiro.
Os números foram apresentados pela Associação de Jornais da América, através de um inquérito a 17 empresas de media, responsáveis por cerca de 40% da circulação de jornais diários nos EUA. Dizem respeito ao ano passado e foram agora divulgados.
As receitas de circulação exclusivamente digitais cresceram 275% entre 2011 e 2012, e as receitas das assinaturas mistas (muitos jornais, por exemplo, vendem modelos de assinatura que incluem o acesso nas plataformas digitais e apenas as edições impressas de fim de semana) aumentaram 499% – estes modelos são recentes e o elevado crescimento é também explicado por um ponto de partida reduzido. O dinheiro conseguido pela venda de edições impressas caiu 14%.
No total, as receitas de circulação aumentaram 5% e representam uma fatia de 27% das receitas totais. É a primeira vez que há um registo positivo desde 2003.
A publicidade, tipicamente a principal fonte de receitas para os jornais, tem-se mostrado um problema difícil de resolver na era digital, já que o preço dos anúncios é relativamente baixo e tem sido pressionado a descer pelo aumento da oferta de funcionalidades para anúncios online, nomeadamente as disponibilizadas por grandes empresas como o Google e o Facebook. Os dados revelam que, embora tenha crescido 5%, o dinheiro conseguido com anúncios online representa uma fatia de 11% das receitas totais (em algumas empresas era de apenas 8%, noutras chegava aos 29%). O dinheiro da publicidade impressa caiu 9% e esta fonte de receitas representa 46% do total.
Numa realidade que é muito diferente da europeia (os EUA, por exemplo, têm uma tradição de jornais locais que não existe na generalidade dos países europeus), os 16% de receitas que não resultam da circulação nem da publicidade estão distribuídos em partes iguais pelo negócio das publicações feitas para audiências específicas (8%) e por aquilo a que o relatório chama “novas fontes de receitas”, que incluem actividades menos habituais nos jornais, como a organização de eventos, a realização de campanhas de marketing digital para clientes e actividades de comércio electrónico.

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