A empresa norte-americana Apple afirmou, numa declaração sem precedentes, que também foi alvo de um ataque de hackers, garantindo, no entanto, que não houve exposição de quaisquer dados.
A empresa informou que hackers tiveram acesso aos computadores de alguns dos empregados, e que os piratas informáticos aproveitaram uma vulnerabilidade num plug-in do Java (que permite ver conteúdos interactivos nos sites), o que permitiu a instalação de malware (vírus e softwares que direccionem o computador do utilizador para acções não controladas pelo próprio) nos computadores da Apple.
“Identificámos um pequeno número de sistemas dentro da Apple que foram infectados e isolámo-los da nossa rede. Não há provas de que qualquer dado tenha saído da Apple”, disse a empresa em comunicado, sem especificar quando se registou o ataque.
Vulnerabilidades no Java têm sido apontadas como a fonte do ataque ao Facebook, divulgado pela rede social na passada sexta-feira. A Apple prometeu um programa para remover qualquer malware que tenha sido instalado, e um programa para consertar esta fragilidade. O Java (da Oracle) teve, segundo uma base de dados norte-americana citada pela Reuters, 90 vulnerabilidades de importância média a grave nos últimos três anos.
A Apple é a última empresa norte-americana a anunciar que foi vítima de um ataque. Segue-se às admissões do Facebook, Twitter, New York Times, Wall Street Journal, Washington Post e ainda do Departamento de Energia dos EUA. Os jornais afirmaram que a China foi responsável pelos ataques aos seus computadores, enquanto as redes sociais não. Segundo o site da estação de televisão Bloomberg, os ataques ao Facebook e ao Twitter, e agora também à Apple, são atribuídos a um grupo de hackers da Europa de Leste.
Mac mais vulneráveis
Os programas do Windows têm sido os mais escolhidos pelos piratas informáticos, mas, no ano passado, centenas de milhares de computadores Mac foram atingidos por um trojan (“cavalo de tróia”, um tipo de vírus que é instalado no computador e permite que informações deste sejam vistas por terceiros sem o conhecimento do utilizador) chamado Flashback.
Este último ataque confirma que a aura de invulnerabilidade dos computadores da Apple está a desaparecer. Com o aumento da popularidade, vem também um aumento do perigo. “Até há um ano, não víamos muitas ameaças aos Mac”, comentou à Reuters Liam O'Murchu, da empresa de segurança de software Symantec.
“Hoje, um em cada três computadores portáteis vendidos é Mac, por isso tornaram-se mainstream, por isso entraram no local que os hackers atacam”, disse também à agência britânica Neil Cook, responsável da Cloudmark, que trabalha com questões de segurança da Internet.

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