A cozinha das nossas mães (e avós)

Portugal - Cuisine intime et gourmande. À venda na loja A Vida Portuguesa por 14,90€

"Este livro é uma história de família", diz Mário de Castro sobre Portugal - Cuisine intime et gourmande, perto de dez mil exemplares da edição francesa vendidos até agora e uma nova edição já em perspectiva.

Para falar da cozinha portuguesa, o autor, colaborador de publicações como Maison Française, Madame Figaro ou Architectural Digest e que já publicou os livros Mezzaluna em Lisboa e Cafeína no Porto, leva-nos para o interior da casa da família, no Porto.

A figura central é a mãe (na sua primeira versão, o livro chamava-se La Cuisine de Ma Mère, e fazia parte de uma colecção com o mesmo nome da editora francesa La Martinière), mas ficamos a conhecer outros membros da família. "Há a minha tia virgem, a tia Lurdes, que é diabólica com a mania das limpezas e que está numa fotografia de talheres na mão como se fosse a rainha do castelo", descreve.

Há a sobrinha, de vestido às flores, segurando uma chávena. E há o pai (entretanto falecido), o artista que transforma pratos de aperitivosem obras de arte. O texto parte das memórias de Mário, que vive em França desde os anos 70, e inclui receitas - do arroz de chouriço à sopa de hortaliça, das "minhas" claras com molho de caramelo à salada de ananás com vinho do Porto.

Não há a preocupação de apresentar um conjunto de receitas que representem a cozinha tradicional portuguesa. Estão aqui os clássicos, como o cozido ou os pastéis de bacalhau, mas esta é uma cozinha pessoal, de uma mulher, Maria do Amparo, a mãe de Mário, que herdou o gosto por cozinhar da mãe, a "avó Avelina", e que às receitas antigas juntou algumas mais modernas.

"A minha mãe inspirava-se muito no Pantagruel. Na altura, os livros de cozinha não tinham fotografias, as pessoas tinham de puxar pela cabeça e gostar do que faziam. Por isso este é também o testemunho de uma época."

Fundamental para este retrato de família com comida são as fotografias de Éric Morin (que não usa o digital, o que dá às fotos, sobretudo as a preto e branco, uma espessura particular). "Ele tem um olhar marcado por uma certa nostalgia. Trabalha muito a intimidade e o detalhe."

E assim viajamos das fotos do passado até aos almoços de família hoje, passando pelas memórias dos "domingos na praia Azul" no início dos anos 60. Como se comêssemos um bom bolo da avó mergulhado numa chávena de chá numa tarde de Inverno.

Depois do sucesso em França, Mário procura agora uma editora para lançar o livro em português, em Portugal e no Brasil. Alexandra Prado Coelho

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