A distribuição gratuita da vacina da gripe a todas as pessoas com mais de 65 anos vai custar ao Estado quatro milhões de euros, uma iniciativa que o ministro justifica com a necessidade de aumentar a taxa de cobertura.
O ministro da Saúde, Paulo Macedo, assinalou hoje, numa visita ao Centro de Saúde de Sete Rios, o início da campanha de vacinação contra a gripe sazonal, que este ano é distribuída gratuitamente às pessoas com mais de 65 anos, naquelas unidades de Saúde.
Até agora, o Estado comparticipava as vacinas adquiridas por estas pessoas em 1,4 milhões de euros, agora vai pagar a totalidade do preço da vacina a este grupo de risco, o que totaliza quatro milhões de euros (mais 2,6 milhões do que no ano anterior), se forem aplicadas todas as previstas.
O ministério salvaguarda contudo que, para evitar desperdícios, as vacinas vão sendo adquiridas por lotes, à medida que forem sendo necessárias.
“Este ano, a vacina é gratuita, e o acto de vacinação é isento de taxa moderadora, para ter uma percentagem maior de pessoas que necessitam de estar cobertas”, afirmou Paulo Macedo à margem da visita.
Em anos anteriores a percentagem de pessoas vacinadas foi “inferior ao desejável”, razão que levou o ministério a alargar a gratuitidade e a fazer uma “divulgação atempada”, explicou.
No ano passado, a vacina era gratuita apenas para os grupos de risco e para quem recebe o Complemento Solidário.
A escolha do grupo de pessoas com mais de 65 anos para passarem também a receber a vacina gratuitamente prende-se com dois critérios: “a vulnerabilidade da idade e a vulnerabilidade da doença crónica”, explicou Graça Freitas, da Direcção-Geral da Saúde (DGS).
“A ter que escolher um grupo, escolhemos os mais frágeis e vulneráveis. As pessoas com mais de 65 anos são mais vulneráveis à doença [pela idade] e muitas têm uma doença crónica”, afirmou, reconhecendo que no ano passado a época gripal foi intensa.
No entanto, sublinhou que tal não se pode prever e que só no fim da época é que se sabe, razão por que importa as pessoas prevenirem-se.
Por isso, a responsável manteve a recomendação para se vacinarem os grupos de risco: doentes crónicos, doentes com sistema imunitário comprometido há mais de seis meses, grávidas e profissionais de saúde.
Graça Freitas assinalou que a vacina da gripe não é desaconselhada a ninguém, mas para quem não tem acesso gratuito, tem que ser comprada na farmácia, mediante receita médica e com comparticipação estatal.
Porém lembrou que como há limitações à importação para cada país, é recomendada aos que mais necessitam.
Segundo o Ministério da Saúde, vão estar disponíveis cerca de 1,1 milhões de doses de vacinas, correspondentes a uma taxa de cobertura de 60% dos cidadãos com 65 ou mais anos de idade e aos grupos de risco abrangidos pela vacinação gratuita.

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