Hospitais fizeram menos quase 500 mil urgências em Outubro

Recurso às urgências nos hospitais do SNS caiu 9,1% face a igual período de 2011, revelam os dados da Administração Central do Sistema de Saúde.

Mais de metade dos doentes operados tem alta no mesmo dia Enric Vivies-Rubio

O número de pessoas atendidas nos serviços de urgência dos hospitais caiu em Outubro 9,1% em relação ao que se verificou em igual período do ano passado.

Esta quebra corresponde a menos 493 mil pessoas atendidas, o que a Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) considera corresponder “ao esperado” e “a uma desejável moderação do acesso” devido ao aumento do valor das taxas moderadoras, indica o relatório sobre a actividade assistencial do Serviço Nacional de Saúde (SNS), agora divulgado.

Desde Janeiro deste ano que ir a uma urgência num hospital do SNS custa 20 euros, mais do dobro do que os utentes pagavam até então (9,60 euros). O Ministério da Saúde justificou este aumento também com a necessidade de reduzir o número das chamadas “falsas urgências” e a estratégia, segundo a ACSS, parece estar a resultar: em Outubro, indica o relatório, voltou a verificar-se “uma evolução positiva do peso relativo dos atendimentos pouco ou não urgentes” no total de atendimentos nas urgências hospitalares. Ainda assim, cerca de 40% do total de urgências continua a ser de pessoas que não necessitavam de recorrer àqueles serviços.

No relatório com os dados relativos a Outubro é também destacado o aumento de 3,9% (mais 16.861) nas intervenções cirúrgicas realizadas nos hospitais, face a igual período de 2011, e também a transferência gradual da actividade cirúrgica para o ambulatório. Assim, especifica-se, “53,5% das intervenções realizaram-se com a possibilidade de o doente ser operado e ter alta no mesmo dia”.

A demora média do internamento, contudo, subiu de 7,74 para 7,92 dias, “um agravamento indesejável”, frisam os relatores. Consideram que este valor, apesar de estar associado ao aumento de cirurgias ambulatórias, deveria baixar.

Ainda nos hospitais, as primeiras consultas aumentaram 3,2% e as subsequentes 1,2% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Nos cuidados de saúde primários, o número de consultas caiu, neste caso 3,6%, em relação a Outubro de 2011. A redução de 6,3% verificada nas consultas médicas presenciais é atribuída pelos relatores a uma transferência para as não presenciais (mais 6,3%) e para as domiciliárias (mais 2,9%), bem como ao aumento da prescrição electrónica de receitas com validade de seis meses (mais 7,1%). 
 
 
 

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