Depois de anunciar o encerramento de uma das cantinas do campus da Universidade de Lisboa (UL), a reitoria avança que irá reforçar o “Programa Alimentação”. A reestruturação de que os serviços serão alvo irá duplicar o número de refeições ao preço social de 2,40 euros.
A decisão do encerramento da Cantina Nova, na Avenida das Forças Armadas, foi tomada depois de a reitoria da UL declarar ter feito um estudo que revelou que oito em cada dez alunos que frequentam o refeitório em questão são alunos do ISCTE, um instituto exterior à UL. O vice-reitor da Universidade de Lisboa, Vasconcelos Tavares, explicou na altura que “o objectivo é canalizar as verbas de acção social para os alunos da instituição à qual se destinam”.
No comunicado agora tornado público, o reitor da UL, António Sampaio da Nóvoa, sublinha que a instituição tem “a obrigação de utilizar as suas verbas da acção social primordialmente no apoio aos seus estudantes” e anuncia a reestruturação de que as cantinas serão alvo.
Das cerca de 435 mil refeições anuais, a cantina da Cidade Universitária é a principal distribuidora, com uma média de cerca de 320 mil. Por seu turno, a cantina do Campo Grande serve cerca de 95 mil. Já a cantina da Avenida das Forças Armadas, que será encerrada no final do ano, serve cerca de 20 mil refeições.
No novo programa “passarão a ser oferecidas refeições ao preço praticado nas cantinas da UL, em todos os refeitórios e bares concessionados nas faculdades e institutos”. A cantina da Cidade Universitária passará a servir mais dez mil refeições. Já a cantina do Campo Grande (ex-refeitório da FCUL) será o espaço que vai sofrer maiores alterações, com o objectivo de melhorar a qualidade e diversidade das refeições e servir mais 25 mil refeições por ano.
Esta mudança traduz um aumento de 50% nas refeições a preço social servidas, que se espera que atinjam as 650 mil. As refeições “nos bares e refeitórios existentes nas diferentes faculdades e institutos [serão] ao mesmo preço praticado nas cantinas da universidade”, contemplando o serviço de “sopa, prato principal, sobremesa, pão e bebida”.
Para que tal seja possível, haverá um reforço das verbas para a acção social e “um contrato e um pagamento adicional da UL a cada concessionário”.
Consciente dos movimentos contra o encerramento da Cantina Nova, o reitor da UL diz que a instituição “teve o cuidado de contactar os responsáveis das outras instituições do ensino superior, em particular do ISCTE”. Em resposta, o reitor alega que lhes foi comunicado “que não havia qualquer necessidade ou interesse em viabilizar o funcionamento desta cantina, estando garantido o fornecimento adequado de refeições aos estudantes dessa instituição”.
O reitor não afasta, no entanto, a possibilidade de os estudantes de outras instituições frequentarem a cantina da UL, “desde que em condições de reciprocidade com os estudantes da UL”, afirma.
João Marecas, presidente da Associação Académica da Universidade de Lisboa, acredita que está será “sem dúvida” uma “solução muito mais vantajosa para todos os alunos da Universidade de Lisboa”.
Já Luís Reto, reitor do ISCTE, recusou-se a prestar quaisquer declarações. “Não me pronuncio sobre isso. Se a cantina fosse do ISCTE, falava, assim não”, disse. Mas quando questionado sobre se a capacidade dos serviços do ISCTE responde à procura dos alunos da instituição, o reitor também recusou comentar o assunto.
O programa será implementando no dia 1 de Janeiro de 2013 e será objecto de avaliação intermédia em Agosto e avaliação final em Dezembro. Em função dos resultados e do impacto financeiro será definida uma nova política para 2014.

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