O movimento de activistas antiaborto Mulheres em Acção criticou nesta terça-feira a Universidade Católica Portuguesa (UCP) por ter escolhido para docentes de um novo curso que a instituição se prepara para lançar figuras que no passado tomaram posições em defesa da interrupção voluntária da gravidez. Para o movimento, estas escolhas põem em causa os princípios orientadores daquela instituição de ensino superior ligada à Igreja Católica.
Em comunicado, o movimento sustenta que a Faculdade de Ciências Humanas daquela universidade está a lançar uma pós-graduação em Serviço Social na Saúde Mental, em parceria com a Associação dos Profissionais de Serviço Social, que terá como formadores e conferencistas “destacados e públicos opositores da posição da Igreja Católica sobre a inviolabilidade do valor e da dignidade da vida humana”.
Em causa estão, segundo o movimento, personalidades que “colaboraram notoriamente pelo 'sim'" no referendo sobre o aborto, casos de António Leuschner (Conselho Nacional de Saúde Mental), Álvaro de Carvalho (Programa Nacional de Saúde Mental), Francisco George (director-geral da Saúde) e José Miguel Caldas de Almeida (Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa).
Considerando que a universidade é “uma instituição da Igreja”, integrada na missão da Igreja, “enquanto serviço específico à comunidade eclesial e humana”, o movimento defende que devem “ser escolhidos docentes e investigadores que, além da idoneidade profissional, primem pela integridade da doutrina”, citando os estatutos da UCP. A agência Lusa contactou a Universidade Católica, mas não obteve resposta até ao momento.

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