Sismo em Marrocos fez pelo menos 564 mortos (actualização)

O sismo causou sobretudo derrocadas em Al Hoceima Khalil Shikaki/EPA

O número de mortes resultantes do sismo de ontem em Marrocos aumenta à medida que as equipas de resgate avançam nas suas buscas. Os números oficiais mais recentes dão conta de 564 mortos e cerca de 300 feridos.

"O número de mortos subiu para os 564", infomou o ministro da Saúde marroquino, Mohamed Cheikh Biadillah, à televisão estatal 2M. O trabalho das equipas de salvamento e dos populares, que desde as primeiras horas de ontem começaram a tentar encontrar sobreviventes, está a ser afectado pela falta de meios.

O líder da aldeia de Im-Zouren, uma das mais afectadas, pediu ajuda. "É um desastre, o mundo tem de nos ajudar", lamentou-se Hassan Hmidouch, enquanto os aldeões pedem cães especializados e material para escavar.

A ajuda chega de vários países, nomeadamente através da Cruz Vermelha Internacional. Chegar às zonas afectadas é um processo difícil, visto que os acessos às aldeias sinistradas são feitos através de estradas estreitas, em más condições.

A ajuda portuguesa - que parte em breve a bordo de um C-130 da Força Aérea Portuguesa - consiste numa equipa de busca e salvamento, composta por elementos de coordenação do Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil, 16 bombeiros do Regimento de Sapadores de Lisboa, seis equipas cinotécnicas da GNR e da PSP, além de diverso material, nomeadamente geradores e equipamento de iluminação.

Réplicas mantêm população em alerta

Milhares de pessoas afectadas pelo sismo dormiram ao relento, também com medo das réplicas. O abalo, que ocorreu às 02h30 de ontem, atingiu uma magnitude de 6,5 na escala de Richter e surpreendeu a região enquanto a população dormia. Centenas de réplicas fizeram-se sentir durante o dia de ontem e na noite passada, o que assustou os marroquinos. Mesmo com a chuva nocturna, foram muitos os que optaram por dormir em tendas ou sob abrigos improvisados, pelo medo da derrocada de mais edifícios.

Na aldeia de Ait Kamara, 18 quilómetros a sul de Al Hoceima, muitas casas foram arrasadas e jazem no solo como caixas de cartão, descreve à Reuters um habitante que perdeu seis familiares no sismo.

Os feridos da região estão a ser tratados nos hospitais de campanha montados pelo Exército marroquino, mas também em centros de saúde e lares de caridade próximos. Os casos mais graves estão a ser levados de avião para Rabat, Casablanca e Meknes.

O rei deve hoje visitar a região afectada. Al Hoceima, cidade portuária com 70 mil habitantes que alberga ainda uma estância balnear muito frequentada por turistas, foi palco de algumas derrocadas. Naquela região, as construções são fracas e à base de tijolos de lama, sobretudo nas aldeias vizinhas da cidade mediterrânica.

O sismo mais mortal a assolar Marrocos ocorreu em 1960, tendo destruído a cidade de Agadir, à beira do Atlântico. Doze mil pessoas morreram.

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