Sindicato diz que adesão à greve dos guardas prisionais ultrapassou 90%

No sábado acaba o período de greve de 12 dias, mas vai realizar-se outro de 13 a 22 de Junho.

O sindicato assegura que os serviços mínimos foram garantidos apesar das acusações Nuno Ferreira Santos

A adesão à greve dos guardas prisionais, que começou dia 21 e termina sábado, está acima dos 90%, informou nesta sexta-feira o presidente do Sindicato Nacional, Jorge Alves, garantindo que os serviços mínimos estão a ser cumpridos.

Os guardas prisionais iniciaram no dia 21 um novo período de greve de 12 dias devido ao impasse nas negociações com o Governo sobre o estatuto profissional, protesto que está a afectar, sobretudo, as visitas dos reclusos e o transporte destes para os tribunais.

Em declarações à agência Lusa, o presidente do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional, Jorge Alves, disse que o mínimo de adesão foi 92% durante a semana e 97% ao fim-de-semana. “Este, para nós é um aspecto principal, porque o pessoal do corpo da guarda mostrou a sua união na defesa dos direitos e dos interesses dos guardas prisionais e na conclusão do trabalho que começámos há mais de um ano no Ministério da Justiça e que agora a secretaria de Estado da Administração Pública quer obrigar-nos a recomeçar de novo”, declarou.

Jorge Alves adiantou que o sindicato enviou na terça-feira passada um ofício a mostrar o interesse e a vontade em dialogar com o Ministério da Justiça, adiantando estar disposto a suspender a greve, se houver condições. E lembrou que no próximo sábado acaba o período de greve de 12 dias, mas vai realizar-se outro de 13 a 22 de Junho, estando também em cima da mesa um novo período a seguir a este.

Questionado sobre se, devido à greve, os reclusos estão a ser impedidos de falar com os seus advogados ou a faltar a audiências em tribunal, Jorge Alves desmentiu esta versão e salientou que os serviços mínimos estão a ser assegurados. O sindicalista explicou que o maior transtorno que resultou desta greve foi a falta de contacto com os familiares, pelo menos de forma tão assídua.

No que diz respeito à deslocação normal dos reclusos aos tribunais, o presidente do sindicato garantiu que estão a ser realizados todas as sessões que coloquem em causa a liberdade dos presos. “Agora em termos de críticas de advogados e organizações, o que se passa é que no período de greve os advogados não têm a liberdade que têm durante uma semana em que não há greve que é ir às cadeias chamar 10 ou 20 reclusos, perder dois ou três minutos com eles e depois pedir a declaração a dizer que os ouviram não importa em que condições”, relatou.

Sobre se têm existido desacatos entre presos, Jorge Alves contou que o maior receio do sindicato, quando marcou a paralisação, foi o de não ter guardas suficientes para uma alteração possível da ordem numa situação de tensão. “Felizmente os reclusos têm tido consciência e reconhecem, como nós, as dificuldades de sobrelotação, de falta de pessoal, de falta de condições nas prisões”, vincou.

De acordo com o mesmo responsável, tem havido alguns focos de tensão que têm levado a alguns problemas em Setúbal e em Vale do Sousa (Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira) e que “resultam de alguns presos quererem tirar proveito” da situação. “Os que têm bens como o tabaco fazem fortunas. Pelos vistos há um recluso que queria vender onças, (tabaco de enrolar) que valem a 1,5 euros, por 15 euros. Eles sentem-se explorados o que leva as complicações”, referiu.

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