O secretário de Estado do Ensino Básico e Secundário considerou hoje "muito sensata" a proposta do primeiro-ministro para que os sindicatos dos professores canalizem o seu protesto para a greve geral marcada para 27 de Junho. Isto porque "o que importa é libertar os alunos, deixar de os tomar como reféns num processo que divide o Ministério da Educação e os sindicatos", disse.
João Grancho falava esta tarde à margem da sessão final do XXXVIII Encontro Nacional das Associações de Pais, que teve lugar em Gondomar.
Passos Coelho propôs que os sindicatos transferissem o seu protesto para dia 27, suspendendo a paralisação convocada para os dias de avaliações e exames nacionais. "Os serviços mínimos deverão garantir a realização em condições de normalidade desses exames. E espero sinceramente que não seja necessário o Governo adoptar nenhuma outra medida para garantir esse objectivo", acrescentou o primeiro-ministro, sem esclarecer a que medida se referia.
As palavras de Passos Coelho têm suscitado várias reacções. O secretário-geral do PCP Jerónimo de Sousa considerou hoje que falar da possibilidade de o Governo tomar "outra medida" para assegurar a normal realização dos exames nacionais contém, "naturalmente, um sentido de ameaça". E apontou como "uma hipocrisia tremenda" o facto de o primeiro-ministro invocar o prejuízo dos alunos. O secretário-geral do PCP falou aos jornalistas, no final da cerimónia de inauguração da Avenida Álvaro Cunhal, na freguesia do Lumiar, em Lisboa.
Também o coordenador do Bloco de Esquerda, João Semedo disse que "as ameaças não são solução para nada".
"É preciso dizer que quem marcou a data da greve, na realidade, foi o Governo ao negociar tarde e a más horas e a impor, tarde e a más horas, medidas que são muito lesivas das condições de trabalho e de vida dos professores e também de sobrevivência e de qualidade da escola pública", disse João Semedo aos jornalistas à margem da apresentação dos candidatos do BE às próximas eleições autárquicas na Trofa.
Sobre a possibilidade de o Governo tomar "outra medida" para assegurar a realização dos exames nacionais, o coordenador do BE criticou o facto de "em vez de negociar, como as leis do país e a Constituição impõem, o Governo, perdido na sua falta de razão e argumento, tentar recorrer a medidas administrativas de retaliação e de ameaça sobre os professores".
Também a Federação Nacional de Professores (Fenprof) reagiu. Em declarações à TSF, Mário Nogueira, secretário-geral, lembrou que os professores também vão aderir à greve geral, de dia 27. "Relativamente a uma transferência da greve para o dia 27, ela não é possível e por uma razão muito simples: os professores também vão fazer greve no dia 27 como qualquer trabalhador. As lutas dos professores não são lutas à parte, são lutas com os restantes trabalhadores."
Para Mário Nogueira, citado pela Lusa, o primeiro dia de greve dos professores às avaliações foi "um êxito" e mostrou com "enorme clareza" como os docentes estão contra as políticas educativas, nomeadamente o aumento do horário semanal para 40 horas e a aplicação do regime de mobilidade especial aos docentes, o que, para o sindicado, significa "empurrar os professores para o desemprego".
Em comunicado, a Fenprof diz: "A luta que os professores iniciaram teve, no seu primeiro dia, um forte impacto com a esmagadora maioria das reuniões de avaliação que estavam previstas a serem adiadas. Tudo indica que esse impacto continuará a sentir-se ao longo da próxima semana – greve ao serviço de avaliações entre 11 e 14 de Junho – dando origem à realização de uma grande manifestação nacional de professores, educadores e investigadores no dia 15, sábado, e, em 17, a uma fortíssima greve geral dos docentes e investigadores."

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