Responsável pela logística na Refer surpreendido com ligação de subordinado a Godinho

O processo está relacionado com uma alegada rede de corrupção que envolve as empresas de Manuel Godinho Foto: Adriano Miranda

Um responsável pela logística da Rede Ferroviária Nacional (Refer) disse esta terça-feira, no tribunal de Aveiro, que “nem sonhava” com a colaboração que um subordinado seu dava ao sucateiro Manuel Godinho, para “aldrabar a pesagem” de resíduos.

José da Silva Sousa, que foi responsável da Direcção de Contratualização, Procurement e Logística da entidade gestora das ferrovias portuguesas, referia-se a Manuel Guiomar, co-arguido do processo Face Oculta, que pôde ouvir, em escutas, a comentar com Manuel Godinho estratégias para “enganar” as balanças.

Se conhecesse essa postura de Guiomar na altura dos factos, “nunca aceitaria trabalhar com ele”, garantiu o homem da logística da REN.

Testemunha arrolada pelo Ministério Público, José da Silva Sousa era o “braço direito” de Maria José Gamelas, uma responsável da área de exploração e conservação da Refer, tida como obstáculo aos alegados negócios do sucateiro, como revela um telefonema que a investigação escutou.

“O Sousa e a Gamelas – mais a Gamelas – estão a fazer um concurso por convites para não deixarem de fora a 2ndmarket”, lamentava-se Manuel Guiomar, ao telefone com Manuel Godinho, aludindo a uma das empresas do sucateiro de Ovar.

José da Silva Sousa esmiuçou, a pedido do Ministério Público, algumas das adulterações de pesagens de resíduos que o processo refere, nomeadamente nos casos do Entroncamento e da Livração, em Marco de Canaveses.

O responsável pela logística aludiu, por exemplo, a talões de pesagens que desapareceram e a “enganos” que eram sistematicamente invocados, quando se pediam explicações.

O processo Face Oculta está relacionado com uma alegada rede de corrupção que teria como objectivo o favorecimento de um grupo empresarial de Ovar, ligado ao ramo das sucatas, nos negócios com empresas do sector empresarial do Estado e privadas.

No banco dos réus estão sentados 36 arguidos (34 pessoas e duas empresas) que respondem por centenas de crimes de burla, branqueamento de capitais, corrupção e tráfico de influências.

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